O VALOR DA CIÊNCIA JOVEM

Em depoimentos emocionantes, alunos do SESI Araripina mostram porque a Ciência Jovem é uma “revolução pedagógica”

araripina

O diretor do Espaço Ciência, Antonio Carlos Pavão, esteve em  Araripina, Sertão de Pernambuco, na semana passada, durante a III Mostra Técnica do SESI do município. A mostra exibe os projetos de Ciências construídos ao longo do ano pelos estudantes, junto com seus professores. Para Pavão, foi uma oportunidade de constatar o quanto estas Feiras são eficazes para despertar entre os jovens o gosto pela Ciência.

Os diferentes depoimentos de jovens do local confirmam a importância desta estratégia pedagógica, do estímulo dos professores e da Ciência Jovem – Feira Internacional coordenada pelo Espaço Ciência. Confira abaixo alguns depoimentos:

araripina3“Olá. Meu nome é Júnior e é uma honra poder contar um pouco sobre minha experiência com projetos. Começo a falar de como era minha vida antes de me apresentarem essa coisa de louco…

Eu era só mais um garoto normal, do Ensino Fundamental, que só pensava em brincar. E nessa época tinha um professorzinho insuportável de matemática, muito jovem, superchato. Esse cara só vivia pegando no meu pé, tentando me mostrar o caminho certo. Depois de certo tempo, esse professor sai de minha escola e, quatro anos depois, reencontro esse professor no Ensino Médio. Só que dessa vez não era só ele. Eram dois super loucos que acreditavam no meu potencial que eu não havia encontrado ainda.

Minha vida foi seguindo até que, um dia, um desses professores chegou à minha sala falando sobre uma feira de ciências que iria ter no Recife. E tinha uma amiga que era super enjoada e queria participar dessa Feira. E me arrastou junto. Com isso fomos desenvolvendo um projeto para nos inscrevermos e comecei a descobri coisas que eu não sabia que era capaz. Inesperadamente, em uma reunião, entra outro jovem nesta equipe e ali se dava o início de uma super jornada para uma vida que nunca mais seria a mesma.

Em 2015 tivemos a oportunidade de estar na 21ª Ciência Jovem onde conheci pessoas que nunca imaginei conhecer, com um avançado nível de conhecimento…Hora ou outra eu me perguntava: – O que eu estou fazendo aqui? E essa resposta era dada quando chegava um grupo de alunos e nosso projeto era explicado e, ao final, éramos agraciados com palmas e parabéns que não tinham preço.

Após voltarmos de viagem nunca mais enxerguei a vida da mesma forma. Comecei a me envolver em projetos e decidi que, na minha vida, essa é a área que eu irei seguir porque ela mudou a minha vida e eu quero mudar a vida de mais pessoas. Quero acreditar nos jovens em quem muitos só veem defeitos, pois foi isso que fizeram comigo: acreditaram em mim quando ninguém acreditou e aqui estou!

Fui também à Ciência Jovem 2016 onde adquiri mais conhecimentos. Não tive a oportunidade de ser premiado, mas sei que prêmio melhor do que eu ganhei não existe: lembranças, amigos e conhecimentos.

Quero que essa vontade de criar projetos se torne hábito em todos os alunos e professores pois creio que com esse tipo de metodologia podemos alavancar o nível de ensino do nosso país. Queria agradecer aos três professores que me deram essa oportunidade: Acácio, o melhor professor de matemática, que nunca perdeu a esperança em mim; Jaildo, a pessoa que me fez acreditar que não é preciso muito para se tornar o que você quiser; e queria agradecer ao Professor Pavão por tornar realidade o sonho de um jovem sertanejo e facilitar esse nosso acesso à Ciência. Queria agradecer aos meus parceiros de projetos e de vida, Andressa Mara e Raul Medeiros, por estarem comigo e acreditarem em minhas loucuras.

Por último, parabenizar a todos os que desenvolvem projetos ou pensam em desenvolver: não tenham medo de passar noites em claro estudando, pois todo esse esforço será recompensado com prêmios que a vida lhes dará. Os meus foram conhecimentos e pessoas, que não troco por nada nesse mundo. E o seu, o que será?”

Francisco Hélio de Castro Rocha Júnior / SESI Araripina

 

araripina4“Parecia uma realidade distante na vida de um paulista perdido no Sertão de Pernambuco: ser cientista era algo que não estava nos meus planos… Mas a Ciência me encontrou, assim como um poeta encontra a poesia.

Criar artigos, relatórios, resumos… viajar o mundo com ideias que não passavam de ideias… era loucura para quem antes olhava o mundo de forma pequena. “O que seria do mundo sem as ideias não é mesmo?”

Ainda bem que tive amigos disfarçados de professores. Jaildo Pereira e Acácio Lacerda foram responsáveis por me mostrar o caminho da pesquisa científica, como uma bússola que indica para onde seguir. Obrigado por serem alguns de meus pilares, assim como de tantos outros jovens.

A primeira pesquisa, a primeira viagem, a primeira Ciência Jovem, a primeira conquista…foram instantes que ficaram arquivados na memória da eternidade.

O Recife hoje, para mim, é sinônimo de sonhos impossíveis se tornando reais, graças a Ciência.

Albert Einstein estaria feliz por saber que ainda existem jovens que acreditam num mundo louco, onde a curiosidade nos torna sábios o bastante para ir além.

Isaac Newton, o que seria de nós se você não nos tivesse deixado um telescópio ou se aquela maçã não tivesse nos levado à descoberta da gravidade?

Antonio Carlos Pavão, criador da Ciência Jovem, criador de cientistas e responsável por dar oportunidade para as pessoas abrirem os olhos para o mundo… obrigado por isso, professor Pavão.

Raul Medeiros, Francisco Hélio e Andressa Mara, irmãos que a Ciência me deu, para caminhar lado a lado em cada pesquisa, ainda vou ouvir muito falar de vocês “turbinando” todo esforço destes três anos. O sucesso aguarda vocês bem ali à frente.

Já eu faço parte de um quarteto, junto com Anne Gabrielle, Amanda Ramalho e Josinaldo Júnior: a galerinha da Macaúba, como dizem por aí… Colecionamos histórias para contar, viagens para guardar e projetos de jovens sonhadores que desejam, sim, conquistar o mundo com a sabedoria de defender algo em que acreditamos. E eu acredito em um país que, apesar de pouco incentivar a pesquisa, ainda possui ramificações que regam a semente científica.

As gerações passadas nos deixaram descobertas grandiosas e criaram um teto que hoje é nosso piso. Nós construiremos um teto que será o piso da próxima geração. E assim se constrói o palácio da sabedoria.

É confortante saber que existe um solo fértil, de pessoas que acreditam em nosso potencial apesar de sermos tão novos. E é gratificante colher resultados positivos. Hoje agradeço não só aos incentivadores mas à própria Ciência por me lapidar como cientista, como pesquisador e como ser humano”

Jales Taelyson

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