MARCHA PELA CIÊNCIA

Espaço Ciência participa da marcha que denuncia corte de verbas para o setor de Ciência e Tecnologia

Marcha pela Ciência

Neste sábado (22), o Espaço Ciência se junta à comunidade científica do Brasil e do mundo para reivindicar maior reconhecimento e políticas públicas para o setor. No Brasil, a Marcha pela Ciência ganha ainda mais importância diante do cenário de redução drástica nas verbas: em 2010, os recursos do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação para o setor eram da ordem de R$ 8,8 bilhões. Hoje, este valor caiu para R$ 2,8 bilhões.

A Marcha pela Ciência será realizada em mais de 400 cidades em todos os continentes. No Brasil, ela acontece em 17 municípios, entre os quais Recife e Petrolina. No Recife, a concentração será no Marco Zero e, como parte do protesto, o Espaço Ciência e Observatório da Sé não funcionarão neste sábado para participarem da manifestação.

A data escolhida para o manifesto, 22 de abril, coincide com o Dia Internacional da Terra. Nascida nos EUA e realizada pela primeira vez este ano, a Marcha surgiu da insatisfação de estudantes norte-americanos de pós-graduação. O presidente Donald Trump, eleito no final do ano passado, iniciou seu mandato este ano com uma série de medidas polêmicas, entre as quais  cortes de investimento e mudanças nas políticas públicas voltadas ao financiamento de ciência e tecnologia.

No Brasil, O governo aprovou um corte de R$ 42 bilhões no orçamento federal, que incluiu redução de 44% dos gastos com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Desde 2010, a queda nos recursos para o setor foi de R$ 6 bilhões.

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ESPAÇO CIÊNCIA – O Espaço Ciência, assim como museus de ciência em todo o país (LEIA: Museus de Ciência sob ameaça), tem sentido os efeitos dessa redução de verbas e desaparecimento dos editais voltados à divulgação científica.

A Ciência Jovem por exemplo, Feira Internacional de Ciências, tinha em 2012 um orçamento com R$ 500 mil do CNPq e R$ 52 mil da Facepe. Este ano, o evento terá que ser realizado com R$ 90 mil do CNPq e R$ 10 mil da Facepe.

A Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, que em Pernambuco é coordenada pelo Espaço Ciência, era realizada com R$ 150 mil do CNPq/MCTI e R$ 40 mil da Facepe. Para este ano, até agora, nenhum valor foi garantido.

O corte se estende para todos os programas e para a própria manutenção do Museu. Os monitores, por exemplo. O Espaço Ciência chegou a ter 90 bolsas garantidas pela Facepe para monitoria.  Hoje, a quantidade de bolsas caiu para 66.

Editais e programas importantes foram extintos, a exemplo do Programa Novos Talentos (MEC/Capes) e de editais que garantiram ações como o Ciência Móvel, CIÊNCIA POR TODA PARTE e novas exposições.

Para o diretor do Espaço Ciência, Antonio Carlos Pavão, este cenário reflete uma falta de compreensão quanto ao papel da ciência e tecnologia: “O descaso apenas aprofunda o colonialismo científico no Brasil”, ressalta.

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