AUGUSTO CHAVES, 101 ANOS

Em 2017, completa-se meio século da morte de um dos mais dedicados micologistas do Brasil

ncp TODOS OS CIENTISTASHá 103 anos, nascia, na cidade baiana de Santo Amaro da Purificação, aquele que se tornaria um mais renomados micologistas do Brasil. Augusto Chaves Batista, que por mais de vinte anos atuou na Universidade Federal Rural de Pernambuco, é respeitado internacionalmente pelo seu legado na identificação de milhares de fungos. É descrito pelos colegas como um profissional disciplinado, pontual e muito dedicado. Em 2017, completa-se meio século desde sua morte, em 1967.

Formado em agronomia na Faculdade Agrícola da Bahia e especializado em Bacteriologia, Fitopatologia e Micro-Técnicas pela A&M College Graduate School (Estados Unidos), Augusto Chaves estagiou no Commonwealth Mycological Institute (Inglaterra) e sua formação científica em fitopatologia e micologia foi influenciada pelo pesquisador Camillo Torrend.

Iniciou suas atividades como docente na Escola Agrícola da Bahia e, em 1946, ingressou  na Escola Superior de Agricultura da Universidade Rural de Pernambuco (UFRPE). Atuou no Instituto de Pesquisas Agronômicas de Pernambuco (IPA) até 1951, como chefe da Seção de Fitopatologia.

De março de 1954 até o seu falecimento em 1967 foi diretor do Instituto de Micologia da Universidade Federal de Pernambuco. Augusto Chaves foi um taxonomista de rara habilidade, dedicando-se durante toda sua vida ao estudo das variações morfológicas dos fungos.

Por não ter se especializado em um tipo particular de fungo recebeu o título de “o mais versátil micologista”, concedido pelo Commonwealth Mycological Institute (CMI) da Inglaterra, onde estagiou na década de 1930. À frente do Instituto de Micologia, criou a micoteca, que hoje constitui uma coleção de referência registrada no CMI sob a sigla de URM (University Recife Mycologia) e filiada ao World Directory of Collections of Culture of Microorganisms.

Seu trabalho no Instituto de Micologia resultou na descrição de mais de 4.600 espécies de fungos e o registro na 7° edição do Dictionary of the Fungi do CMI. Publicou trabalhos sobre vários tipos de microorganismos. Produziu cinco livros e vários artigos científicos publicados em periódicos nacionais e internacionais. Quarenta e quatro gêneros estabelecidos em suas monografias e chaves de identificação foram validados por grandes nomes da micologia moderna, entre os quais: Von Arx; Muller; Hughes; Luttrell; Ellis; Sutton e Kendrick.

Devido a sua grande capacidade de trabalho, bem como a sua dedicação à pesquisa, conseguiu até a data de sua morte um notável volume de resultados publicados sobre os mais variados microorganismos, ganhando respeito nacional e internacional na área da micologia.

Profissionais que atuaram com Augusto Chaves relatam a sua pontualidade e dedicação ao trabalho ficando até altas horas no seu laboratório. Era exigente com os seus alunos, requisitando relatórios semanais sobre as atividades realizadas. Relata-se que ele “parecia querer identificar todos, ou a maioria dos fungos que pudesse”. Augusto Chaves faleceu prematuramente aos 51 anos, vítima de um acidente vascular cerebral, enquanto trabalhava em seu laboratório no Instituto de Micologia.

Augusto Chaves Batista é um dos homenageados da Caravana dos Notáveis Cientistas de Pernambuco, que integra a ação itinerante do Espaço Ciência e cujos objetivos são   reconhecer e divulgar o importante papel dos  cientistas pernambucanos; valorizar o patrimônio intelectual existente,  preservando a memória das  contribuições à ciência; e  estimular a vocação  científica das novas gerações. Confira.

 

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