Popularização da Ciência

Iniciativas pela popularização da ciência marcaram 2012

Clique para ver todas as fotos de Iniciativas pela popularização da ciência marcaram 2012O ano de 2012 mostrou que com apoio, parceria e determinação é possível envolver os diversos atores da sociedade em torno de iniciativas para popularizar a ciência, despertar o interesse dos jovens pela área e promover a cultura científica no país. Um dos exemplos do resultado dessa mobilização social foi a 9ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), que registrou números recordes de atividades realizadas e de municípios e instituições envolvidas. Novas cooperações e criação de projetos e espaços científicos também marcaram o período.

O site oficial do evento fechou o ano com mais de 28 mil atividades cadastradas e o envolvimento de 723 cidades brasileiras de 912 instituições. Os números não param de crescer e superam todas as expectativas diante das 16 mil ações realizadas no ano anterior, com a participação de 654 municípios e 833 entidades ligadas à área de ciência e tecnologia.

O principal objetivo da semana, coordenada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), é mobilizar a população, especialmente as crianças e os jovens, para a atividade de ciência e tecnologia (C&T), valorizando a criatividade, a atitude científica e a inovação, além de mostrar a importância da C&T para a vida de cada um e para o desenvolvimento do país.

Grande parte das atividades promovidas durante a SNCT, realizada oficialmente entre 15 e 21 de outubro, envolveram governos estaduais, institutos de pesquisa e universidades, que contaram com o suporte de museus e de espaços similares para levar um pouco do mundo científico ao público em geral.

Novos espaços

O ano que passou também foi finalizado com novidades para o Maranhão e o Distrito Federal. Um acordo de cooperação técnica foi assinado, em 13 de dezembro, para a implantação do Museu de Ciência e Tecnologia de Brasília, e foi feita a entrega oficial, no dia 19, da van do Projeto Ciência Móvel, do laboratório de divulgação científica Ilha da Ciência da Universidade Federal do Maranhão.

O projeto do museu da capital federal recebeu a assinatura dos ministros da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), da Integração Nacional (MI) e da Cultura (MinC), além do Governo do Distrito Federal, da Universidade de Brasília (UnB), do Instituto Brasileiro de Museus e da Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco/MI).

Já a unidade móvel do Maranhão, que será levada a diversos locais da região, foi adquirida com recursos do MCTI, por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCTI) e da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema).

Apoio

Segundo o diretor do Departamento de Popularização e Difusão de Ciência e Tecnologia do MCTI, Ildeu Moreira, as iniciativas fazem parte de um esforço do órgão para criar novos museus e espaços científicos que possam oferecer condições para estimular a formação de uma cultura científica no país.
“O programa de ciência móvel já conta com quase duas dezenas de veículos de várias origens e de vários cantos do Brasil fazendo trabalho de ciência itinerante. Um deles que inauguramos [em 2012] foi um grande caminhão na UFMG [Universidade Federal de Minas Gerais], em parceria com a universidade e o governo do estado”, conta.

O diretor do MCTI explica que o apoio do ministério é viabilizado por meio de editais, de recursos via fundos setoriais ou emendas parlamentares e, ainda, pelas parcerias com os governos estaduais e municipais que querem criar museus de ciências em suas regiões.

Moreira defende os espaços científicos como grandes aliados para o aperfeiçoamento do sistema de educação. “Essa é uma atividade que acontece no mundo inteiro. Os museus de ciência nos Estados Unidos e na Europa, por exemplo, são instrumentos importantes de formação da cultura científica, de discussão da política, de interdisciplinaridade e de apoio ao sistema formal de ensino”, afirma.

Desafios

Segundo o diretor, embora vários espaços tenham sido criados nos últimos anos, a quantidade de unidades é insuficiente e mal distribuída pelo país. “Algumas partes do Brasil têm pouquíssimo acesso a museus de ciência, planetários, jardins botânicos”, diz. Ele cita o caso do Amazonas, que conta com apenas um planetário. Acrescenta que são 40 unidades no país inteiro, enquanto a Índia possui 300.

“O ministério tem tentado ampliar os museus de ciência e estimular a criação de novos, mas a demanda é muito grande, e os recursos, insuficientes. Então é preciso fazer todo um movimento para isso.” Segundo Ildeu Moreira, o órgão tem importantes parceiros, como a Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência (ABCMC), a Rede Brasileira de Jardins Botânicos e a Associação Brasileira de Planetários.

“São entidades da sociedade civil que também estão atuando no sentido de criar mais espaços e aprimorar os existentes”, comenta. “Mas seria fundamental ter uma participação também da iniciativa privada e de outros órgãos de governo.” Ele destaca como referência os EUA, onde os museus contam com três fontes de recursos: dos governos, de doações (especialmente de empresas) e da venda de produtos em seus estabelecimentos.

De acordo com a ABCMC, já são 190 espaços de popularização de ciência espalhados pelo país: museus, zoológicos, aquários, planetários, observatórios e jardins botânicos, que já mantêm uma programação variada para todas as faixas etárias. E os espaços de ciência não param de crescer a cada ano.

Para Ildeu Moreira, o Brasil tem pela frente o desafio de criar mais espaços de ciência e cultura nas periferias das grandes cidades, no interior do país e nas diversas regiões do país, além de estimular o interesse da população. “Então esse é um esforço grande. A visitação aos museus de ciência no Brasil subiu significativamente nos últimos anos [de 4% para 8,3% entre 2006 e 2010], mas ainda atinge um nível que é um terço da média europeia”, lembra.

Texto: Denise Coelho – Ascom do MCTI

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