Ampliação do Espaço Ciência

Pérola de convivência em uma área que tem na vizinhança o abandono do Memorial Arcoverde, o Espaço Ciência vem a ser um dos mais nobres pedaços urbanos do Estado. Mistura de museu a céu aberto e parque, seus 12 hectares poderiam no entanto ser melhor aproveitados pela população. No ano passado, 160 mil visitantes, a maioria formada por caravanas escolares de municípios do Grande Recife e do interior, buscaram as suas instalações para usufruir do lazer e do conhecimento divertido que proporciona. Poderia ser pelo menos o dobro, sobretudo nos finais de semana.

Reportagem de Ciara Carvalho que publicamos no domingo, dia 12, chamou a atenção para a pequena quantidade de pessoas que se deslocam ao Espaço Ciência, em comparação com outros parques e equipamentos públicos, como a Jaqueira e o Dona Lindu. O esquecimento é um desperdício que desvaloriza um dos mais aprazíveis e interessantes locais na passagem entre as cidades irmãs. Na opinião de frequentadores, falta divulgação para a opção, que oferece atrações para um passeio de várias horas, que pode se estender da manhã ao final da tarde. Muitos não sabem, mas está ali o maior museu ao ar livre da América Latina. Réplicas de dinossauros e estruturas armadas para explicar o fascinante mundo da física e da química são encontradas no espaço, que também dispõe à observação centenas de experimentos científicos.

Localizado numa região limítrofe entre a capital e Olinda, o Espaço Ciência desponta como parte de um polo vocacionado para o desfrute turístico, cultural e ambiental. Essa era, aliás, a proposta do Projeto Urbanístico Recife Olinda, que chegou a ser divulgado como alternativa de ocupação, mas terminou inviabilizado por problemas de articulação institucional e de formatação para o mercado. A proposta, de 2005, foi desenvolvida pelo Porto Digital e pela empresa portuguesa Parque Expo, e chegou a ser lançada oficialmente pelas prefeituras dos dois municípios, pelos governos estadual e federal.

Ainda falta muito para que a apropriação merecida do equipamento público de divulgação e incentivo ao conhecimento seja feita pelos cidadãos. A incorporação do destino aos roteiros turísticos, como acontece com museus similares em outros países, é uma sugestão a ser logo adotada. Mas além disto, os governos municipais e estadual deveriam prestar melhor atenção à consagração da proposta do Espaço Ciência, elevando-a a uma mudança de escala. Sua ampliação, com a extensão aos espaços vazios do Memorial Arcoverde, ao lado do Centro de Convenções e da Fábrica Tacaruna, lançaria sua importância a uma dimensão regional, e quem sabe internacional, com o desdobramento dos equipamentos existentes em novos laboratórios, planetários, miniparques temáticos e ambientes expositivos e de pesquisa diversos.

Pela ideia que representa, e pelo uso sustentável de área subaproveitada, o Espaço Ciência é o espaço da descoberta que precisa ser privilegiado na configuração urbana da metrópole que desejamos para Pernambuco no decorrer do século 21.

Fonte: Editorial, Jornal do Commercio

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