PEGA NA MENTIRA

No Dia da Mentira Científica, convidamos você a compartilhar conosco as notícias falsas que você vê por aí

Primeiro de abril é considerado o Dia da Mentira. É quando se fazem brincadeiras e trotes, e se inventam histórias para enganar amigos. É uma data propícia para refletir sobre mentira e Ciência e sobre a forma como as notícias falsas, ou “fake news” afetam o conhecimento científico, sobretudo em tempos de isolamento e pandemia. Convidamos você a compartilhar conosco, com comentários em nossas redes sociais, as notícias falsas que você vê por aí.

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Dizem que a brincadeira do 1º de abril surgiu na França, no século XVI, quando uma mudança no calendário modificou as festas de ano novo. Ao invés de ser comemorado com a chegada da primavera, entre março e abril, o ano novo passou a ser  celebrado em janeiro. E, para aqueles que se recusaram a seguir o novo calendário, os colegas passavam trotes enviando convites para festas inexistentes no início de abril.

“Independente da origem do Dia da Mentira, aqui no Brasil a gente pode associar a data ao início da ditadura militar, uma época de verdade sufocada e muita mentira”, opina o diretor do Espaço Ciência, Museu Interativo de Ciência de Pernambuco, Antonio Carlos Pavão.

MENTIRA E VACINAS – “Se você virar Super-Homem, se nascer barba em alguma mulher aí, ou algum homem começar a falar fino, eles não têm nada a ver com isso. Se você virar um jacaré, é problema seu”. Esta frase foi pronunciada pelo presidente Jair Bolsonaro, em relação à vacina da Pfizer, em um evento na Bahia. Ela demonstra o desconhecimento em relação à forma como se produz Ciência, o que contribui para o descrédito no conhecimento científico e amplia a disseminação de notícias falsas.

Muitas das falsas notícias vem embaladas em falas de “especialistas”, a exemplo dos boatos de que as vacinas poderiam alterar o DNA. Originado a partir do vídeo de uma osteopata norte-americana, a mentira rapidamente se propagou. Nas vacinas de RNAm, a substância são metabolizadas pelo nosso organismo fora do núcleo da célula. Já as vacinas de DNA, entram no núcleo da célula, mas também não são capazes de se integrar ao DNA humano, muito menos de alterá-lo.

Notícias de que as vacinas continham chips implantados por Bill Gates para controlar as pessoas, que poderiam causar doenças autoimunes ou autismo, que causariam infertilidade em mulheres, que teriam que ter eficácia de 90% para imunizar a população, que teriam causado efeitos adversos graves… todas estas falsas informações ajudam a propagar o medo na população e atrapalha o controle da doença.

Estudo realizado no final do ano passado mostra que mais de 10% dos brasileiros não queriam ser vacinados. E o percentual mundial é ainda maior, com cerca de 20% da população contrária às vacinas.

POR TRÁS DAS MENTIRAS – Por trás do surgimento dos sites e notícias falsas pode haver diferentes motivações: monetárias, ideológicas, políticas, morais. As informações encontram um terreno fértil no mundo democrático da Internet, em que as informações podem circular livremente. Mas até que ponto este mundo seria de fato tão democrático?

Em artigo publicado em 14/01/2019, na Revista Ciência Hoje, o sociólogo Yurij Castelfranchi (UFMG), traz à tona uma questão importante: na Internet, existem algoritmos, criados para facilitar nossas escolhas online e acesso à informação, que podem acabar selecionando informações provenientes de poucas fontes. Ou seja: quem acessa notícias sensacionalistas, ou de apenas um campo político, corre o risco de entrar em “bolhas” com altas doses de notícias falsas e boatos, sem ter acesso a outras versões.

Além disso, segundo ele, um grupo de pesquisadores “estudou 126 mil histórias circuladas na plataforma Twitter ao longo de um ano, para compreender quais aspectos das fake news levam ao compartilhamento maciço. Descobriu-se que os humanos contribuem para a difusão de notícias falsas tanto quanto os sistemas automáticos (bots), devido a fatores emocionais: as notícias falsas tendem a parecer mais surpreendentes do que as verdadeiras, e também mais revoltantes ou assustadoras”.

FAZER O QUÊ? – A dica final fica por conta deste sociólogo mineiro,  Yurij Castelfranchi, em seu artigo na Ciência Hoje: “Ressalto a necessidade de sermos céticos, qualidade crucial para bons jornalistas, bons educadores, bons cientistas e, em geral, para os cidadãos de uma sociedade aberta. E precisamos ser mais que céticos diante de estatísticas, experimentos ou fatos que nos deixam indignados, preocupados, entusiasmados, porque confirmam nossas visões e crenças, confortam nossa raiva, legitimam nossas batalhas. Afinal, as fake news que são construídas para nos tocar, para fortalecer nossos preconceitos, são as que compartilhamos sem hesitar, e não pensamos em checar”.

LEIA O ARTIGO COMPLETO DE YURIJ CASTELFRANCHI NA CIÊNCIA HOJE

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