24 ANOS SEM CHICO SCIENCE

Artista que fez o mundo olhar para os manguezais encerrou precocemente a carreira e hoje batiza o Manguezal do Espaço Ciência

Há 24 anos, no dia 2 de fevereiro, Chico Science, o artista que fez o mundo olhar para os manguezais, encerrou precocemente sua carreira em um acidente de carro junto ao Espaço Ciência. Hoje, ele batiza o Manguezal do Museu, que ocupa uma área de 19.169 m² e é um dos diferenciais do Espaço Ciência: um lugar onde é possível contemplar, pesquisar e descobrir a beleza deste ecossistema. No dia em que se completam 24 anos da partida do artista que lhe batiza, o Manguezal Chico Science inaugura um perfil no Instagram: @manguezalchicoscience

O músico Chico Science será eternamente lembrado por consagrar o que foi chamado de Manguebeat – a batida que parte de ritmos regionais, como coco e maracatu, e se une a ritmos globalizados como a música eletrônica, o rock e o rap. Em outubro de 2008, a revista Rolling Stone promoveu a Lista dos Cem Maiores Artistas da Música Brasileira. Chico Science ocupou o 16ª lugar.

Além de ser um dos principais articuladores do movimento que deu visibilidade à música pernambucana, Chico Science também trouxe à tona a discussão sobre o ecossistema dos manguezais. O primeiro manifesto Manguebeat, escrito pelo artista Fred 04, inicia com uma descrição dos manguezais e da cidade do Recife para afirmar:

“O modo mais rápido de enfartar e esvaziar a alma de uma cidade como Recife é matar os seus rios e aterrar os seus estuários. O que fazer então para não afundar na depressão crônica que paralisa os cidadãos? (…) Simples, basta injetar um pouco de energia na lama e estimular o que ainda resta de fertilidade nas veias do Recife”. ACESSE O MANIFESTO

Com a morte do artista, os quase 20 mil metros de manguezal recuperado e vivo, que está incrustado no meio do Espaço Ciência, foi batizado com seu nome. O Manguezal Chico Science é o que sobrou do aterro promovido na região. Em 1996, quando o Espaço Ciência passou a ocupar um dos parques do Memorial Arcoverde, iniciou um programa para sua conservação e manejo.  Hoje, a vegetação vingou, restaurando todo o ecossistema, com peixes, caranguejos e dezenas de espécies de aves já identificadas.

O manguezal faz parte de uma das áreas do Museu, a Trilha Ecológica. Fruto de um trabalho cuidadoso de conservação ambiental, tornou-se um terreno fértil para a sensibilização de questões ambientais. Foi objeto de estudo de dissertações de mestrado, trabalhos de conclusão de cursos de especialização e de graduação, pesquisas de estudantes de escolas públicas.

No local, há passeios em barco movido a energia solar; são realizadas oficinas e atividades lúdicas; e desenvolvidos projetos como o “Observando os Rios”, da ONG SOS Mata Atlântica, que monitora a qualidade das águas de rios e estuários. Outro exemplo de projeto de Educação Ambiental desenvolvido no Chico Science é o Espaço Mangal, uma proposta pedagógica para que educadores de várias escolas possam trabalhar o tema dos manguezais (CONFIRA AQUI).

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