PAULO FREIRE, 99 ANOS

Para marcar a data, entidades promovem ato-político pedagógico, com palestras e debates

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Há 99 anos, em 19 de setembro de 1921, nascia, no Recife, o homem que revolucionou a pedagogia ao propor uma educação crítica e libertadora. Para marcar a data, várias entidades, entre as quais a SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, promovem neste sábado o ato político pedagógico “Denúncia, anúncio e humanização”. O evento, que terá participação de vários estados – como Pernambuco, Minas Gerais e São Paulo – e será transmitido pelos canais da UFPE (ufpeoficial) e do Sintepe (TVSintepe).

Para Paulo Freire, não bastava aprender a ler e escrever, mas aprender a “ler o mundo”. Era preciso um método diferente que, ao invés da “educação bancária”, na qual os professores “depositam” conhecimento em alunos passivos, propunha-se uma educação interativa, em que ambos aprendem por meio do diálogo e de um saber contextualizado na realidade. “Os homens se educam entre si mediados pelo mundo”, dizia.

Com o seu método, que valorizava a realidade e o conhecimento dos alunos para cruzá-los com outras informações, ele chegou a alfabetizar 300 cortadores de cana em menos de dois meses.

Seu trabalho com analfabetos pobres teve início por volta de 1946, quando ele  assumiu a direção do Departamento de Educação e Cultura do Serviço Social da Indústria (SESI) de Pernambuco. Paralelamente, ele exerceu diversos cargos públicos: Conselho Consultivo de Educação do Recife (1956),  diretor da Divisão de Cultura e Recreação do Departamento de Documentação e Cultura (1961); e foi professor efetivo de história e filosofia da educação da Escola de Belas Artes.

Mas foi como diretor do Departamento de Extensões Culturais da Universidade do Recife, em 1961, que ele realizou as primeiras experiências de alfabetização popular que levariam à constituição do “Método Paulo Freire”. Os resultados exitosos de sua metodologia levaram o governo brasileiro, sob a presidência de João Goulart, a aprovar a aplicação do mesmo no Plano Nacional de Alfabetização.

Com o Golpe Militar de 1964, o Plano foi extinto, Freire foi acusado de ameaça à ordem, preso e exilado por mais de 15 anos. No exílio, esteve em países como Bolívia, Suíça, Tanzânia, Inglaterra, Guiné-Bissau e Chile – quando chegou a trabalhar nas Organizações das Nações Unidas (ONU).

Após a publicação de “Pedagogia do Oprimido”, em 1969, foi convidado para ser professor visitante da Universidade de Harvard. Só em 1980, o educador pôde voltar ao Brasil, onde assumiu cargos de docência na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC–SP) e na Universidade de Campinas (Unicamp) e, entre 1989 e 1991, trabalhou como secretário da Educação da Prefeitura de São Paulo.

Mais do que um método, a ideia de Paulo Freire para a educação é uma concepção de mundo, que propõe uma sociedade onde os conhecimentos estão em eterna construção mediados pelo diálogo, pela realidade e pelo afeto. LEIA MAIS SOBRE PAULO FREIRE

Paulo Freire foi incluído em 2007 na lista de homenageados do projeto Caravana Notáveis Cientistas de Pernambuco. O projeto, realizado em parceria entre o Espaço Ciência e o pesquisador Ivon Fittipaldi, busca reconhecer e divulgar o papel dos  cientistas pernambucanos. Junto com o Ciência Móvel, ele integra a Ação Itinerante do Espaço Ciência. LEIA MAIS

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