FERNANDO DE S. BARROS, 91 ANOS

Faria aniversário nesta terça-feira, 8 de setembro, o Físico recifense que deixou um grande legado pra Ciência do Brasil e do mundo

Se estivesse vivo, Fernando de Souza Barros completaria nesta terça, 8 de setembro, 91 anos. Aluno de Luís Freire e contemporâneo de cientistas como  Mário Schenberg, José Leite Lopes e Leopoldo Nachbin, ele formou-se engenheiro, mas foi à Física que dedicou sua vida e carreira.

Logo após a graduação, ele foi convidado pelos professores Cesar Lattes e Ugo Camerini, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), Rio de Janeiro, para estagiar no programa de raios cósmicos, com montagens experimentais no Laboratório de Radiação Cósmica de Chacaltaya, na Bolívia. E permaneceu no programa até 1955.

Em Manchester, Souza Barros trabalhou sob as orientações dos professores Samuel Devons e Aubrey Jaffe, em um dos pioneiros estudos sistemáticos de reações nucleares do tipo stripping com feixes de hidrogênio-3 (trítio). Esses estudos constituíram a base para a sua tese de doutorado, defendida em 1960, concluindo, assim, seu PhD em Física Nuclear Experimental na Universidade de Manchester.

De volta ao Brasil, foi professor assistente do CBPF e responsável pela cadeira de Física Aplicada do Departamento de Física da Faculdade Nacional de Filosofia da antiga Universidade do Brasil. Poucos anos depois, voltou aos Estados Unidos para trabalhar como físico pesquisador sênior no Carnegie Institute of Technology, em Pittsburgh, onde participou de estudos pioneiros na área de Física Nuclear.

Retornou ao Brasil em 1963 mas, com o golpe militar um ano depois, voltou a transferir-se para os Estados Unidos, onde estudou as propriedades magnéticas e de fenômenos de relaxação em sólidos moleculares. De volta ao país no início da década de 1970, participou da inplantação do Curso de Pós-Graduação em Física da UFRJ, com criação de um grupo de pesquisa experimental para estudos da estrutura da matéria condensada, com técnicas espectroscópicas (Mössbauer, óptica, raios-X, ressonância magnética) e técnicas de baixas temperaturas.

Souza Barros participou ativamente de um grupo de pesquisa interinstitucional de projetos de física aplicada, utilizando técnicas nucleares, no estudo de minerais para fixação de fertilizantes e de materiais de interesse bioquímico e biológico, estudando, inclusive, o papel de minerais na evolução química da vida.

Fernando de Souza Barros contribuiu vivamente para o avanço das ciências no Brasil e em Pernambuco. Apoiou a implantação do grupo de Física do Recife, contribuindo com palestras, seminários, cursos e atividades de pesquisa. Desenvolveu estudos e atividades de divulgação na área de aplicações pacíficas da energia nuclear e eliminação de armas nucleares e foi presidente da Sociedade Brasileira de Física (1983-1985).

Faleceu no Rio de Janeiro, no dia 8 de novembro de 2017 e, no ano passado, seu nome passou a fazer parte do Memorial Caravana Notáveis Cientistas de Pernambuco. Por iniciativa do cientista Ivon Fittipaldi e com parceria do Espaço Ciência, desde 2006, todos os anos três cientistas pernambucanos recebem homenagem póstuma. Seu nome passa a fazer parte da Caravana Notáveis Cientistas de Pernambuco, que circula junto com a ação itinerante do Espaço Ciência, com caricaturas e atividades interativas que dão visibilidade aos cientistas do estado. CONHEÇA O PROJETO

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