DE OLHO NAS ESTRELAS

O Espaço Ciência tem dois desafios astronômicos: observar chuva de meteoros e medir poluição luminosa

Esta semana, o Espaço Ciência tem dois desafios astronômicos para você. Na madrugada da terça para quarta (21 e 22), a dica é ficar DE OLHO NO CÉU para observar a chuva de meteoros Líridas.  Já na quinta-feira (23), todos estão convidados a participar do GLOBE AT NIGHT, campanha internacional de divulgação científica cidadã sobre o impacto da poluição luminosa. Por meio dela, você pode medir os níveis de poluição em sua área e contribuir para o mapeamento da visibilidade do céu em todo o planeta.

CHUVA DE ESTRELAS – Uma chuva de meteoros acontece quando um fragmento espacial atravessa a atmosfera terrestre. Durante sua viagem ao redor do Sol, a Terra atravessa regularmente largas trilhas de poeira espacial espalhadas pelo sistema solar por cometas em trânsito. Quando essas minúsculas partículas, quase sempre do tamanho de um grão de areia, se tornam incandescentes por causa do atrito com os gases atmosféricos, nós as vemos atravessando velozmente pelo céu. São as “estrelas cadentes”.

O evento da madrugada da quarta tem o nome de Líridas, em referência à constelação de Lira, de onde parece ter surgido esta chuva de meteoros. Ocorre entre 16 e 25 de abril, momento em que o nosso planeta atravessa os detritos deixados pelo cometa C/1861 G1 (Thatcher). Em Recife, a taxa máxima de meteoros é de 13 meteoros por hora e a visibilidade vai depender das condições de observacão do céu. Dá para observar a olho nu, embora a visibilidade seja maior no Hemisfério Norte e, no caso do Brasil, nos estados da região norte. Fica o desafio: encontrar estrelas cadentes entre a noite do dia 21 e madrugada do dia 22. Também estarão visíveis os planetas Marte, Júpiter e Saturno.

POLUIÇÃO LUMINOSA – O programa Globe at Night é uma campanha internacional que alerta para o impacto da poluição luminosa. Gerido pelo Observatório Nacional de Astronomia Óptica, dos Estados Unidos, ela convida cientistas-cidadãos a medir o brilho do céu noturno e enviar suas observações, por meio do site: https://www.globeatnight.org/  Nos últimos 12 anos, cerca de 180.000 medições foram feitas por pessoas em 180 países. Para participar, siga as seguintes instruções:

  1. Encontre uma constelação a ser utilizada como parâmetro (o Cruzeiro do Sul, por exemplo);
  2. Encontre a latitude e longitude do local em que você está observando;
  3. Acostume os olhos ao escuro por cerca de 10 minutos;
  4. Associe sua observação a um dos 7 gráficos de magnitude (que constam no site https://www.globeatnight.org/), como também a quantidade de nuvens presentes no céu;
  5. Relate, por meio do questionário exposto no site, a data, hora, local (latitude e longitude), gráfico escolhido e  quantidade de nuvens no momento das observações;
  6. Compartilhe a ideia com seus círculos de amizade, para que possam fazer observações de outros pontos;
  7. Compare suas observações com as milhares em todo o mundo

Céu de Olinda e céu de Buíque: como a poluição das metrópoles afeta a visibilidade. Fotos: Cleiton Batista

MENOS LUZES, MAIS ESTRELAS – A beleza natural do céu fazia parte da vida cotidiana de diferentes povos, inspirando artistas e propiciando descobertas científicas. “Ao perdermos a possibilidade de observar o céu, perdemos contato com a nossa herança cultural”, opina Cleiton Batista, da coordenação do Observatório Astronômico da Sé. 

Segundo Cleiton, há vários outros impactos.  É o caso da perturbação nos ecossistemas, em especial à vida selvagem noturna. “A poluição luminosa pode confundir padrões migratórios dos animais, alterar relações predatórias e mesmo causar danos fisiológicos nos animais, já que o ritmo da vida é orquestrado pelos padrões diurnos e noturnos”, explica. Pode haver efeitos  também à saúde humana, pois a exposição à luz durante o sono pode prejudicar a produção de melatonina, levando a distúrbios do sono e outros problemas da saúde.

Outro impacto diz respeito ao desperdício de energia. A iluminação é responsável por, pelo menos, um quarto de todo o consumo de eletricidade em todo o mundo. O excesso de iluminação contribui com o desperdício de energia, especialmente a iluminação direcionada para cima, forma de iluminação pública utilizada nas cidades brasileiras. Segundo os especialistas, a poluição luminosa pode ser reduzida com facilidade, como uso da luz apenas quando for necessário e investimento em lâmpadas mais eficazes.

 

 

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