O CÉU DOS INDÍGENAS

Na Semana dos Povos Indígenas, o Espaço Ciência desafia a buscar no céu algumas constelações dos Guarani

Que tal aproveitar o tempo de ficar em casa e olhar o céu? Que tal celebrar a Semana dos Povos Indígenas descobrindo a forma como algumas etnias, sobretudo os Guarani, observavam as estrelas e os astros? Este é o nosso desafio astronômico para esta semana: tente descobrir no céu alguma das constelações indígenas descritas a seguir (inteira ou parte delas). Depois, você pode descrever o que observou, desenhar ou fotografar. Envie para comunicacaoec@gmail para compartilharmos nas nossas redes sociais. 

A observação do céu noturno e a utilização dos astros como forma de orientação no tempo e no espaço são partes dos conhecimentos de diversas civilizações do mundo inteiro. Povos como os Indígenas Guarani e os Aborígenes Australianos já utilizavam as estrelas para projetarem constelações e a associarem à passagem do tempo, épocas de plantio e colheita, períodos de chuvas e estiagem, calor e frio ou mesmo a mal presságios. No Espaço Ciência, por exemplo, existe um Observatório Indígena construído pelo etno astrônomo Germano Afonso e sessões no Planetário com Astronomia Indígena.

No entanto,  a associação de estrelas para formar figuras varia de acordo com as diferentes culturas e civilizações, pois dependem da imaginação de quem olha para o céu. Por exemplo, na constelação que civilizações ocidentais chamam de Escorpião, os Guarani veem a figura do Boitatá.

Abaixo, listaremos algumas constelações indígenas que estão visíveis no céu. Tente encontrar pelo menos parte de alguma delas. Você pode instalar algum aplicativo em seu celular para observar melhor. Algumas sugestões são o SkyMap, Star Walk 2, SkyView,  SkySafari e Stellarium. Depois compartilhe conosco o que você conseguiu observar, por meio de fotos, desenhos e descrições. Envie para comunicacaoec@gmail.com. Confira as constelações:

Esta é a Constelação do Veado ou Cervo do Pantanal. Quando aparece totalmente no céu, anuncia a chegada do Equinócio de Outono no Hemisfério Sul, uma estação de transição entre o calor e o frio. Esse evento marca o Tempo Velho, que vai do início do outono até o início da primavera, para os índios Guarani.

Se você olhar na direção Sul, a partir das 18h, vai conseguir enxergar algumas estrelas que compõem esta constelação, que inclui algumas das que formam o que nós conhecemos como Cruzeiro do Sul e a Falsa Cruz, composta por estrelas das constelações Carina e Vela.

 

 

Esta é a constelação do Homem Velho. Na primeira quinzena de dezembro, quando ela surge totalmente no céu, anuncia a chegada do solstício de Verão. Este evento marca o meio do Tempo Novo para os índios Guarani. 

Para encontrar a parte desta constelação que estará visível, olhe na direção Noroeste a partir das 18h. Fazem parte dela estrelas das constelações ocidentais de Órion e Touro.

 

 

Esta é a Constelação da Ema. Quando ela surge totalmente no céu, anuncia a chegada do solstício de inverno. Esse evento marca o meio do Tempo Velho para os índios Guarani.

Para encontrar algumas estrelas que compõem essa constelação, basta olhar para a direção Sudeste a partir das 19h.  Fazem parte da constelação da Ema alguns astros que integram as constelações ocidentais do Cruzeiro do Sul e do Escorpião.

 

 

FONTES:

STUART, C. A História do Universo para quem tem pressa: Do Big Bang às mais recentes descobertas da Astronomia. 1. ed. Editora Valentina. Rio de Janeiro, 2018.

AFONSO, G.B. O Céu dos Índios de Dourados: Mato Grosso do Sul. Editora UEMS. Mato Grosso do Sul, 2012.

MARIUZZO, P. O céu como guia de conhecimentos e rituais indígenas. Ciência e Cultura. vol. 64 n.4. São Paulo, 2012.

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