MENINAS NA CIÊNCIA

Em várias atividades no Espaço Ciência, meninas descobrem que Ciência também é coisa de Mulher

O Espaço Ciência encheu-se de meninas e mulheres nesta terça-feira, 11 de fevereiro. Foi o Dia Internacional de Meninas e Mulheres na Ciência. Em diversas atividades, elas compartilharam conhecimentos; conheceram pesquisadoras de áreas, épocas e lugares diversos; e tiveram a certeza de que Ciência não tem gênero.

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A programação contou com a participação de meninas das Escolas Municipal Manoel Gonçalves, EREM Joaquim Nabuco, Escola Alto de Santa Teresinha, Espaço Educar, Escola Epitácio André Dias e Escola Tabajara. Algumas delas são participantes do projeto “Meninas na Ciência”, realizado pela UFRPE, em parceria com o Espaço Ciência. O projeto inclui formação de estudantes e professoras para atuarem como multiplicadoras em suas escolas.

Houve espaço para o compartilhamento de conhecimentos entre diferentes gerações. As participantes da turma da terceira idade do projeto CLICidadão, de inclusão digital, transmitiram para as jovens estudantes o que sabiam sobre artesanato. Juntas, elas enfeitaram tiaras com adereços carnavalescos que remetem à Ciência.

Na exposição História Química da Humanidade, as estudantes se divertiram com experimentos interativos. Mas também descobriram sobre as tantas mulheres que ajudaram a construir a história da Química.

Marias como Maria – A Judia, alquimista que anos antes do nascimento de Cristo, pesquisava elementos como o enxofre. O banho-maria, forma de controle da temperatura hoje tão utilizado na culinária, foi descoberto por ela. Que falar então de Marie Meurdrac que, no século XVI, escreveu um tratado de Química para mulheres e usava a Ciência para produzir medicamentos? Ou de Marie Curie que, no início do século XX, recebeu dois prêmios Nobel e foi a responsável pela descoberta da radioatividade que hoje, nos permite, por exemplo, fazer a radiografia para consertar nossos ossos, ao invés de amputar o membro como era costume…

No Planetário, enquanto desfrutavam de uma imersão no céu, puderam descobrir que o universo é para todos e que muitas mulheres contribuíram para o conhecimento que se tem sobre ele, de Hipátia de Alexandria, anos antes de Cristo, a Valentina Tereshkova, primeira mulher a ir para o espaço, em 1963.  Em outra oficina, as estudantes descobriram a arqueologia e a importância da presença de mulheres nesta Ciência, que a partir de vestígios do passado tanto pode dizer sobre o presente. Descobriram ainda sobre a participação de mulheres na computação, a exemplo de Ada Lovelace, criadora do primeiro algoritmo da história

Outro destaque da programação foi o projeto “Meninas nas Ciências Exatas”. O grupo da UFPE, liderado pela pesquisadora Giovannia Pereira, teve uma boa surpresa com as pequenas meninas do Ensino Fundamental da Escola Alto de Santa Teresinha. Diferente do que se costuma imaginar, elas não pensam em cientista como alguém incomum e diferente, muito menos apenas do sexo masculino. Descreveram cientistas como pessoas comuns, que trabalham muito, são inteligentes e podem ser homens ou mulheres. Para elas, cientista pode estudar qualquer coisa: de bicho a planta, de água a ar.

Com a oficina, descobriram também que cientistas podem estudar coisas muito pequenas e coisas muito grandes. E que as coisas grandes são feitas de coisas pequenas. E que tudo, mesmo um grãozinho de sal, é feito de partes menores chamadas átomos. Conheceram ainda que há mulheres cientistas que estão pesquisando sobre essas coisas minúsculas – como Beate Saegesser, da UFPE, que pesquisa pontos quânticos. Depois, descobriram as maravilhas daquilo que é muito grande, os planetas, o sol, as galáxias… um universo estudado por pesquisadoras como a carioca Beatriz Barbuy.

ESTATÍSTICAS – No Brasil, dados de 2010 mostravam que, dentre os 128,6 mil pesquisadores registrados na base de dados do CNPq, homens e mulheres tinham alcançado o ponto de equilíbrio. Neste mesmo ano, elas já eram maioria entre líderes de grupos de Pesquisa.

No entanto, os números se invertem quando se trata das bolsas de produtividade. Dados de 2011 revelam que mulheres eram minoria em todos os níveis e a participação decrescia conforme avançava a exigência de titulação. No nível 2, por exemplo, elas eram 37,2% das contempladas. No nível 1, este percentual baixava para 22,3%.

Outro desafio é ampliar a participação nas áreas das quais as mulheres foram excluídas durante mais tempo, como as Ciências Agrícolas, Exatas e da Terra. Embora os índices venham progredindo a cada ano, elas ainda são apenas 36% nas Ciências Agrícolas; 32% em Física, Matemática e Química; e 39% nas Engenharias.

 

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