EM DEFESA DO RIO

Participantes do II Simcapi unem forças para defender Rio Capibaribe

“Eu me sinto uma mulher de água… é como se eu tivesse escamas. Esse rio é a minha vida. Ele está vivo e pedindo socorro. O rio não fala nossa língua. Mas nós falamos por ele”. A fala é de Maria das Neves, pescadora da colônia Z-18, na barragem de Carpina. Junto com os pescadores Ernando e Davi, da colônia Z-1, ela fechou o II Simpósio Capibaribe com chave de ouro. As falas de desabafo, saudosismo, engajamento e esperança dos pescadores misturaram-se às canções entoadas por Maria: músicas que convocam para a luta e para a união.

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O drama do acidente com petróleo nos mares brasileiros é mais um que se soma à situação já dramática dos pescadores pernambucanos. Mas o maior problema é anterior: a poluição.  “Eu já conheci esse rio… Hoje não conheço mais. Estou igual a vocês: tudo o que conheço é lixo e mais lixo…”, desabafou Ernando. 

Assim como Davi e Maria, ele viveu épocas bem melhores, quando o rio era limpo e dava peixe em abundância. No entanto, apesar das dificuldades, eles acreditam no futuro: “Não adianta ficar esperando pelos governantes. Somos nós que temos que nos unir pra limpar esse rio”, conclamou Davi.

Ele é um dos pescadores que todo ano se juntam ao mutirão organizado pela ONG Recapibaribe para ajudar a limpar o rio. “No começo eram trinta barquinhos. Esse ano já juntamos 150”, contou, com orgulho, o pescador.

À frente da ONG Recapibaribe, André e Socorro Castanhede guardam com o rio uma história de amor, que foi contada por André na mesda temática que abriu o Simpósio: “Quando eu me apaixonei por ela, morava no Sul. Eu falava da paixão pelo rio de minha terra, o Rio Branco, e ela falava do rio dela: o Capibaribe. E eu fui me apaixonando também pelo rio. Mas quando voltamos para cá, o rio que encontrei era diferente daquele que ela descrevia e amava. Era só lixo”. Assim, com essa história romântica, teve início uma história de luta em defesa do Capibaribe.

A primeira mesa temática, “O Capibaribe na paisagem urbana”, contou ainda com a participação de Lúcia Veras, do Laboratório de Paisagem da UFPE, e de Mônica Coelho, da Escola Ambiental Águas do Capibaribe, da Prefeitura do Recife. A segunda mesa temática discutiu as políticas públicas para o rio e a terceira tratou da situação da pesca artesanal e dos trabalhadores do rio.

O II Simpósio foi aberto no domingo (24), Dia do Rio Capibaribe, com uma barqueata que saiu do Marco Zero, centro do Recife. Continuou na segunda e terça (25 e 26), no Espaço Ciência, com mesas temáticas, roda de conversa, exposição de trabalhos em pôster e oficinas de arte e estamparia.

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