FÓRUM DAS ACADEMIAS DE CIÊNCIAS

Fórum das Academias Pernambucanas de Ciências traz à tona o papel social destas instituições

“O homem adquiriu a capacidade de controlar a natureza, mas não resolve o problema da fome. E não é por falta de alimentos”. A frase é do pesquisador do IPA (Instituto de Pesquisa Agropecuária), Geraldo Eugênio, em conferência que abriu o II Fórum das Academias Pernambucanas de Ciências, realizado nesta sexta (22), no Espaço Ciência. O debate, sobre “As implicações da Ciência no desenvolvimento social e na Economia”, segue o mote traçado pelos acadêmicos para as discussões do encontro: a responsabilidade social destas Academias.

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Segundo Geraldo Eugênio, o Brasil produz anualmente 244 milhões de toneladas de grãos.  Significa uma média de 1.100Kg por habitante, ou 3kg de grãos por dia para cada brasileiro. Ou seja, não é por falta de alimento que as pessoas passam fome. Ele ressalta o papel das instituições científicas para o desenvolvimento da economia e traz à tona outro problema: “Um terço de nosso PIB vem dos alimentos. E empresas como a Embrapa têm um papel fundamental nisso. Aí vem o governo e anuncia um corte de 45% no orçamento desta instituição. Isso é caminhar para o desastre. É matar nossa galinha dos ovos de ouro”, denuncia.

O conferencista denunciou ainda o dramático cenário vivido pelo Brasil: redução de recursos para ensino, pesquisa e inovação; encolhimento no orçamento das instituições de fomento; redução na oferta de bolsas para pesquisadores; desqualificação de profissionais da Ciência; negação do conhecimento científico. E conclamou: “É papel das Academias de Ciências participar do desenvolvimento de políticas públicas de Ciência, Tecnologia e Inovação. Precisamos também nos engajar na divulgação científica, apoiar iniciativas do interior do estado e atrair jovens e empresários para a agenda das Academias”.

Este tema foi aprofundado nas discussões que se seguiram durante todo o dia, com mesas-redondas sobre “O papel das Academias nas Tecnologias Sociais” e “O papel da Academia na construção do futuro”. Está também registrado na Carta do II Fórum, segundo a qual as “Academias  reconhecem, por unanimidade, sua responsabilidade social com o desenvolvimento educacional e o seu papel na avaliação das políticas públicas quanto ao alcance de uma educação com competência”.

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HOMENAGENS – Momento importante do evento foi a entrega das placas aos homenageados. Segundo o presidente do II Fórum das Academias Pernambucanas de Ciências, Alípio Sá, “é fundamental preservar e resgatar a memória dos que têm um legado de contribuição científica no estado, inclusive para estimular as novas gerações”, afirmou. É o caso de Ana Rúbia de Carvalho, Carlos Alberto Tavares, Valter da Rosa Borges, Miguel Zumaeta, Múcio Wanderley, Roberto Gilson Campos, Mário Antonino, Leonardo Valadares,  Antonio Carlos Pavão (diretor do Espaço Ciência) e do próprio Abílio Sá.

Abílio ressaltou ainda o papel de eventos como este, que integram os representantes das diversas Academias. Afinal, como diz a Carta redigida pelo Fórum, “o encontro permanente das Academias de Ciências de Pernambuco pode e deve reativar essa necessidade de intercâmbio de ideias, evitando o isolacionismo das especializações”. 

 

 

 

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