Salomão Kelner

(1916/2003)
Médico cirurgião
Homenageado em 2019

Salomão Kelner nasceu em Buenos Aires, em 2 de março de 1916. O Prof. Salomão Kelner era descendente das famílias judaicas Kelner (família paterna) e Krutman (família materna), que emigraram da Ucrânia e Rússia, fugindo da perseguição dos czares, por meio dos pogroms. Nemésio Kelner e sua esposa Berta Rachel Kelner (Krutman) fugiram com suas famílias desembarcando em
Buenos Aires, Argentina, possivelmente em 1915, para escapar da perseguição antissemita. Em 1918, toda a família residente na Argentina migrou para o Brasil. Todos conseguiram visto de entrada permanente, exceto Salomão, sob a justificativa que era criança de colo. Isso trouxe problemas para Salomão Kelner quando atingiu a maioridade e requereu a cidadania brasileira. A naturalização
só foi autorizada por Getúlio Vargas em 31 de janeiro de 1941. Em 1922, entrou no Grupo Escolar Maurício de Nassau, no Cais José Mariano, onde fez o curso primário. Estudou depois na Escola Normal, no Ginásio Pernambucano e no Ginásio Oswaldo Cruz. Desde menino admirou a profissão médica e desde adolescente dava aulas de Português e Matemática para crianças, para ganhar algum dinheiro e financiar seus estudos. Em 1935, presta vestibular na Faculdade de Medicina do Recife e inicia o curso médico. Foi um bom aluno no curso médico, apesar de ter trabalhado durante os seis anos para pagar seus estudos.

Formou-se médico em 8 de dezembro de 1940, pela Faculdade de Medicina do Recife. A vida acadêmica foi iniciada na segunda metade da década de 1940, a convite do professor Eduardo Wanderley Filho, com muito entusiasmo ficou como voluntário algum tempo, e em seguida, foi nomeado o primeiro assistente voluntário da Cátedra de Técnica Operatória e Cirurgia Experimental da então Universidade do Recife. Em 1943, classificado por concurso em segundo lugar (escrita, operação no vivo e no cadáver) como Cirurgião Assistente do Serviço de Pronto Socorro do Recife, como também foi médico credenciado do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Industriários, entre 1943 e 1955. Cirurgião e Proctologista-Chefe do Departamento Médico do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Açúcar no Estado de Pernambuco, entre 1943 e 1945. Classificado
em 3º lugar no Concurso para Cirurgião do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Comerciários, exerceu o cargo de 1947 até 1976.

Salomão Kelner realizou em 1949, estudos na Argentina, estagiando no serviço do Dr. Arnaldo Yódice, Professor de Cirurgia da Faculdade de Ciências Médicas e de Proctologia da Escola de Graduados, e chefe de Cirurgia Geral do Hospital Municipal Dr. Cosme Argerich. No período de agosto de 1951 e janeiro de 1953, estagiou no serviço do professor de Cirurgia da Faculdade de Medicina de Buenos Aires, Ricardo Finochietto, como Bolsista da Kellogg Foundation, Boston, USA. Intensificou seus estudos realizando Curso de Pósgraduação em Doenças Torácicas, promovido pela American Trudeau Society, com a colaboração da Massachusetts Tuberculosis and Health League, na
Boston Medical Library, entre 24 a 28 de março de 1952. Continuando, realizou o Curso de Pós-graduação em Endoscopia no Massachusetts General Hospital (Dr. Edward B. Benedict), Harvard Medical School, em Boston, Massachusetts, EUA, entre maio a julho de 1952. Em 1953, Salomão elaborou a primeira tese de Livre Docência em Técnica Operatória e Cirurgia Experimental, em São
Paulo, no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), tendo o cuidado de repassar a literatura todos os dias sobre os trabalhos que seriam citados, tendo defendido em 1954. Em 1953, foi médico visitante da Lahey Clinic na Philadelphia, USA, do serviço dos Doutores Taussing e Blalock na John Hopkdins University. Em 22 de abril de 1954 recebeu o título de Fellow do Collège International de Chirurgiens, em Genebra, Suíça. Ainda em 1954, Kelner e Wanderley realizaram, pela primeira vez no país, a esplenectomia associada à sutura a céu aberto das varizes do terço inferior do esôfago, como tratamento definitivo para as varizes sangrantes do esôfago, na esquistossomose mansônica.

Em 1963, assume interinamente a Cátedra de Técnica Operatória e Cirurgia Experimental da Universidade Federal de Pernambuco. Em 1964, torna-se fellow do famoso e respeitado pelo American College of Surgeons, Chicago, USA, tornando-se fellow do American College of Surgeons, Chicago, USA. Ainda, em 1964, desenvolveu estudos no Curso de Pós-graduação em Cirurgia Torácica, no Serviço do professor Richard H. Overholt, no New England Deaconess Hospital e The New England Center Hospital, em Boston (EUA), e no Cambridge Tuberculosis Hospital, em Cambridge (EUA). Em 1965, tornou-se membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões no Brasil. Salomão Kelner defende a Tese Avaliação da Esplenectomia e Ligadura Intraesofagiana das Varizes do Esôfago na Esquistossomose Mansônica em concurso para provimento do cargo de Professor Catedrático da Cadeira de Técnica Operatória e Cirurgia Experimental (4ª Clínica Cirúrgica Abdominal), Faculdade de Medicina da UFPE, em sessão pública no auditório da Faculdade de Medicina, Cidade Universitária, em 27 de maio de 1966. Dr. Salomão Kelner foi homenageado
pela Assembleia Legislativa de Pernambuco, em 2 de junho de 1966, por votos de congratulações por haver obtido a Cátedra de Cirurgia da Faculdade de Medicina. Na posse, ele se comprometeu com o ensino, a pesquisa e a extensão, o que cumpriu rigorosamente até sua aposentadoria compulsória, em 1986, contudo, ainda, continuou com atividades na pós-graduação.

Na pós-graduação, em 1973, institui o curso de Mestrado em Cirurgia na UFPE do qual foi seu
Coordenador até 1986, quando se aposentou. Em 1975, foi professor visitante, durante três semanas
em centros de ensino médico da Grã-Bretanha, principalmente na Universidade de Dundee,
Escócia, sob o patrocínio do Conselho Britânico. Em 18 de outubro de 1985, recebeu a Medalha do
Mérito São Lucas, outorgada pela Sociedade de Medicina de Pernambuco, Conselho Regional de
Medicina e Sindicato dos Médicos de Pernambuco.

Salomão Kelner tornou-se membro fundador da Academia Pernambucana de Medicina, ocupando a
Cadeira 39, cujo patrono foi o cirurgião João Alves de Lima (1871 – 1934), professor catedrático
da Faculdade de Medicina e Cirurgia de São Paulo. Como Acadêmico do Ano pela Academia Pernambucana de Medicina publicou com colaboradores na Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, uma avaliação de 25 anos da efetividade da ligadura de varizes esôfago-gástricas na hipertensão porta esquistossomótica; publicou “Dez anos de Mestrado em Cirurgia: Avaliação e Perspectivas pela Editora Universitária. 1983”; em parceria com outros pesquisadores publicou
“História da Faculdade de Medicina do Recife 1915 – 1985 pela Liber Gráfica e Editora”.

Diante das efetivas contribuições como médico, Professor e Pesquisador recebeu o Título de Professor Emérito pela UFPE em janeiro de 1988. Homenageado com a Medalha do Mérito Maciel Monteiro, durante a comemoração do sesquicentenário da Sociedade de Medicina de Pernambuco,
em 4 de abril de 1991. Recebe em 11 de dezembro de 1991,o Prêmio Colégio Brasileiro de Cirurgiões, diploma e medalha de ouro, “Concedido ao cirurgião brasileiro, Membro Titular ou Emérito do CBC” que, pelo acervo de atividades desempenhadas na sua vida profissional, tenha contribuído para o ensino, progresso e desenvolvimento da Cirurgia no Brasil”. Da suas publicações ressalta-se o artigo Critical evaluation of surgical treament of schistosomotic portal hypertension (revista Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, v. 87 suppl. IV, p. 357-68, 1992) e o livro Varizes de esôfago na esquistossomose mansônica, organizado em parceria com Marcello Silveira, Editora Universitária da UFPE(15 de maio de 1997). Orientou muitas teses de mestrado e doutorado e foi chefe do Departamento de Cirurgia da UFPE e membro do Conselho Departamental da mesma Universidade.

E é citado em um grande número de dissertações de mestrado e teses de doutorado, além de trabalhos científicos, considerando suas pesquisas em cirurgia da Esquistossomose mansônica, principalmente, no Núcleo de Cirurgia Experimental, que dirigiu de 1966 até sua aposentadoria. Exerceu o cargo de chefe do Departamento de Cirurgia da UFPE e membro do Conselho Departamental da mesma Universidade. Outra homenagem foi feita em 18 de dezembro de 1999, pelo Sindicato dos Médicos de Pernambuco, inaugurando o auditório da instituição com o nome Salomão Kelner. É citado em numerosas teses e trabalhos científicos por suas pesquisas em cirurgia da Esquistossomose mansônica e por suas qualidades de pesquisador, formador de pesquisadores,
principalmente no Núcleo de Cirurgia Experimental, que dirigiu de 1966 até sua aposentadoria.

Dos aspectos familiares, casou com a médica Miriam (Ludmer) Kelner em 1942. Teve uma filha única, médica e professora universitária (UFPE), Gilda Kelner, , mestre e psicanalista, professora aposentada de UFPE; com três netos, Sérgio Kelner Silveira (Economista, Mestre e Pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco), Raquel Kelner Silveira (Médica, Cirurgiã, Professora da UFPE e da Faculdade Pernambucana de Saúde, Mestre ,Doutora e Pesquisadora) e Carlos Kelner Silveira (Engenheiro, com Mestrado na UNICAMP, pós graduação na Fundação Getúlio Vargas em SP, consultor); e acompanhou de perto duas bisnetas, Marina Kelner Silveira, Médica Oncologista e Cecília Kelner Silveira, Advogada. Após seu falecimento, nasceram mais três bisnetos, Pedro Kelner
Silveira, Davi Barbosa Kelner Silveira e Luíza Kelner Silveira.

Salomão era um homem extremamente culto e de muita leitura. Sempre aproveitava as viagens para visitar museus, teatros, óperas, ballet, desfrutando dos belos lugares. Prevaleceu seu espírito pioneiro, sabedoria e o bom senso cirúrgico, honestidade científica e perseverança, corroborados pelos estudos das duas doenças demonstrando diferenças importantes na sua fisiopatologia
e fortalecendo sua tese de uma cirurgia preconizada por brasileiros para uma doença que afligia nossa população. Mais uma vez, inovou, criou, preocupando se sempre em reproduzir estes conhecimentos, sem esquecer o culto à memória de seus mestres e antecessores. Mais detalhes, como entrevistas e depoimentos do próprio Salomão e de familiares, discípulos e amigos podem ser encontrados no livro “Um Marco na Medicina Pernambucana”, organizado pelos médicos Gilda
Kelner e Djalma Agripino de Melo Filho e editado pela Cepe.

Salomão Kelner faleceu no Recife, no seu apartamento na Av. Beira-Rio, no dia 25 de maio de 2003.

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