Luiz Antônio Marcuschi

(1946 – 2016)
Linguista
Homenageado em 2018

Luiz Antônio Marcuschi nasceu em 15 de maio de 1946, na cidade gaúcha de Guaporé. Filho de Rosalina Vianna Marcuschi e de Ercides Marcuschi, realizou sua formação básica em Passo Fundo, Rio Grande do Sul. Em 1968, concluiu a licenciatura em Filosofia na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.

Em 1971, foi para a Alemanha, onde estudou Filosofia, Linguística e Sociologia na Universidade de Erlangen-Nürnberg. Essa formação abrangente permitiu que ele viesse a estabelecer, em seus trabalhos, elos entre várias áreas do saber. Em 1975, publicou, na área de Sociolinguística, a obra “Linguagem e Classes Sociais”, Editora Movimento, Porto Alegre. Simultaneamente, de 1973 a 1975, atuou, também na Universidade de Erlangen-Nürnberg, como “Leitor de Português”, lecionando língua portuguesa e literatura brasileira. Concluiu seu doutorado com apenas 29 anos (um feito à época) sobre Filosofia da Linguagem, em março de 1976, na mencionada universidade alemã, com tese sobre Ludwig Wittgenstein, publicada pela editora Palm & Emke, Erlangen, 1976.

No mesmo ano, retornou ao Brasil, pois fora convidado a trabalhar no Recife, onde fixou raízes em definitivo, a ponto de se considerar um “pernambucano de coração e por adoção”. Iniciou sua atuação na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) em julho de 1976, como Professor Visitante. Em 1981, prestou concurso público para Professor Adjunto, e, em 1992, para Professor Titular em Linguística, ambos na UFPE.

Desde sua chegada à UFPE, Marcuschi desenvolveu programas de pesquisa que serviram de subsídios para dissertações de mestrado e teses de doutorado. Em 1978, congregou um grupo de pesquisadores, entre colegas e alunos, para desenvolver o projeto “A Fala da Empregada Doméstica no Recife”. O resultado do estudo teve grande repercussão, não apenas na comunidade acadêmica local, mas também entre os pesquisadores do país preocupados com o papel social da linguagem.

Após seu primeiro pós-doutoramento, realizado em Düsseldorf, Alemanha, Marcuschi publicou, em 1983, “Linguística de texto: o que é e como se faz”, Editora da UFPE, livro pioneiro no Brasil sobre os estudos textuais, cuja primeira edição logo se esgotou.

Da Linguística de Texto, passou pela Análise da Conversação e chegou às questões relativas à fala e à escrita, culminando com a criação do Núcleo de Estudos Linguísticos sobre Fala e Escrita – NELFE (anos 1980), de onde saíram muitos dos trabalhos que ainda hoje circulam por instituições acadêmicas, escolas de ensino fundamental e médio do país, e oferecem uma perspectiva teórico-prática inovadora no estudo e no ensino de língua portuguesa. Em 1987, realizou seu segundo pós-doutorado, em Freiburg, Alemanha, justamente sobre questões de língua falada e escrita. Em decorrência, publicou o livro “Da fala para a escrita: atividades de retextualização”, em 2001, pela editora Cortez. Nos anos dois mil, dedicou-se principalmente aos estudos dos gêneros textuais, produzindo artigos e proferindo palestras que se tornaram seminais na investigação sobre o tema. Algumas de suas reflexões a respeito foram exploradas na obra “Produção textual, análise de gêneros e compreensão”, publicada em 2008, pela Parábola Editorial.

Marcuschi colocou a UFPE em lugar de destaque no cenário nacional, não apenas do ponto de vista dos estudos da linguagem, mas também no contexto de ações político-acadêmicas. Contribuiu para a fundação e veio a ser presidente ou a integrar a diretoria do Grupo de Estudos Linguísticos do Nordeste (GELNE), da Associação Brasileira de Linguística (ABRALIN), da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Letras e Linguística (ANPOLL), nos anos 1980. Participou ativamente da criação da Fundação de Apoio à Pesquisa de Pernambuco (FACEPE) e foi membro das Câmaras da Fundação no início dos anos 1990. Em 1995, fez parte do grupo que deu origem à Associação Latinoamericana de Analistas do Discurso (ALED), sendo eleito para o cargo de coordenador regional da primeira diretoria. Foi também secretário regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), de 1997 a 1999, e responsável pela organização na UFPE da 45ª Reunião Anual da SBPC, “Ciência, tecnologia e qualidade de vida”, em 1993. Em 2005, foi nomeado Representante de área de Letras e Linguística junto à CAPES. Marcuschi foi também um dos grandes incentivadores da orientação de alunos de graduação de Iniciação Científica. Elaborou, para o CNPq, o relatório intitulado “Avaliação do Programa Institucional de Iniciação Científica (PIBIC) do CNPq e Proposta de Ação”, que serviu de base para a defesa e aperfeiçoamento do Programa.

Ao longo de sua atuação, recebeu diversas condecorações e homenagens, dentre as quais destacam-se: Medalha Isidoro de Sevilha; Medalha Dom Benedito Zorzi. Mérito Educação; Medalha Serafím da Silva Neto; Prêmio Flamingo de Letras e Linguística; Prêmio Darcy Ribeiro de Educação, concedido pela Comissão de Educação da Câmara dos Deputados.

Mais do que como um grande linguista, Marcuschi deve ser lembrado como um professor, um intelectual, um pensador humanista. Nas suas várias inserções pela ciência e pelas artes, angariou a amizade de inúmeras pessoas. Todas elas são unânimes em reconhecer nele, o amigo incondicional de todas as horas, o Marcuschi que nunca deixava de chamar as pessoas pelo nome, lembrando de todos. Isto refletia sua capacidade de deixar as pessoas à vontade, eliminando qualquer distância entre professor e aluno, chefe e subordinado, independentemente de status, títulos acadêmicos, gênero, classe social ou idade. A sua disponibilidade, empenho e desprendimento para com seus interlocutores sempre ficou evidente. Sua generosidade ultrapassava os muros do seu círculo social mais próximo. Era generoso no empréstimo de seus materiais, dos livros de sua biblioteca e na escuta de todos que o procuravam, fossem alunos da graduação, da pós-graduação, colegas ou mesmo desconhecidos.

Por isso, muitos o chamavam de “Mestre” (entre aspas). “Mestre”, não no sentido de grau de pós-graduação, nem no sentido de alguém que ensina. Mas “Mestre” no sentido de “mentor”, uma pessoa que serve a alguém de guia, de conselheiro, uma pessoa que inspira, estimula, cria, orienta, acolhe, ou, como define o Dicionário Houaiss Online, uma “pessoa dotada de excepcional saber, competência, talento”.

            Faleceu no Recife em 06 de setembro de 2016, aos setenta anos de idade.

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