VIOLÊNCIA DOMÉSTICA EM FOCO

Evento no Espaço Ciência  reúne mulheres da comunidade do entorno para  refletir sobre violência doméstica

   A violência doméstica e o feminicídio foram o foco do evento que fechou o Mês da Mulher no Espaço Ciência. Nesta quarta (27), as mulheres da comunidade de Santo Amaro, no entorno do Museu, lotaram o auditório, em atividade realizada em parceria entre a Ação Social do Espaço Ciência, Tacaruna Social e Grupo Galpão de Meninos e Meninas de Santo Amaro. Várias outras ONGs contribuíram para o evento, entre as quais o Grupo Ruas e Praças; Adolescer; AACA; Fábrica Fazendo Arte; Sociedade Bíblica e líderes comunitários.

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Pesquisa realizada pelos jovens do Grupo Galpão revelaram dados assustadores na comunidade. Dentre as 125 mulheres entrevistadas em 2013, quase 60% já tinham sofrido violência. E o pior: estas estatísticas subiram para quase 70% em 2016. Quando perguntadas se já haviam presenciado violência, as respostas eram ainda mais alarmantes: em 2013, 85% disseram sim; em 2016, 95%. A pesquisa mostra ainda que o ambiente em que as mulheres de Santo Amaro mais se sentem desrespeitadas é na própria família.

A violência doméstica foi revelada também nas apresentações artísticas do grupo Fábrica Fazendo Arte e do grupo de crianças do Galpão de Meninos e Meninas de Santo Amaro. Já a Defensora dos direitos a cidadania pelo Instituto Maria da Penha, Nadiedja Matias de Souza, conversou com as mulheres sobre os tipos de violência e a rede de serviços de proteção disponível na Região Metropolitana do Recife.

O CAMINHO DOS ESTUDOS – Em contraposição à dura realidade da violência, um momento emocionante do evento foi o testemunho de Roberta Cristina, moradora da comunidade, que hoje ocupa a Gerência de Programas do Espaço Ciência.

Roberta é filha de costureira, neta de empregada doméstica, mora em Santo Amaro há 41 anos e sempre estudou em escola pública. Antes de entrar na Universidade Federal Rural de Pernambuco, onde cursou Química, foi babá, costureira, atendente de lanchonete, vendedora de pastel e empregada de Casa Funerária.

Hoje, além da graduação em Química, tem Mestrado em Tecnologias Energéticas e Nucleares e especialização em Gestão de Inovação e Difusão Tecnológica. Além disso, conseguiu criar, sozinha, dois filhos: um está cursando Matemática na UFRPE e o outro é fuzileiro naval concursado.

“Para nós, mulheres que moramos na periferia, há três caminhos possíveis: virar mulher de traficante e entrar para a vida das drogas; virar dona de casa e ficar submissa às vontades de um marido; ou estudar muito, muito mais do que se possa imaginar, e agarrar as oportunidades. Eu escolhi a terceira opção. Todas nós somos capazes de consegui-lo”, disse Roberta.

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