CIÊNCIA PARA SUSTENTABILIDADE

Estudantes mostram projetos surpreendentes com foco na sustentabilidade e no respeito ao ambiente

A sustentabilidade é o mote entre as centenas de projetos que estão expostos na 24ª Ciência Jovem. Em trabalhos de qualidade semelhante a muitos dos que são realizados por grandes centros de pesquisa, estudantes de Ensino Fundamental e Médio mostram que o conhecimento pode ser utilizado em favor do homem, da diversidade e do meio-ambiente.

Um exemplo é o grupo cearense do Projeto Fênix, dos estudantes Gabriela Marta e João Victor. Eles desenvolveram telhas e blocos de alvenaria com materiais como garrafa pet e argamassa de cinzas com entulho e cimento. “Percebemos, inclusive, que as telhas feitas com cinzas tem maior impermeabilidade e conseguem absorver mais calor”, explica Gabriela.

“Reutilizar” também foi a palavra-chave do grupo potiguar de Luís Felipe, Lucas Ferras e Victor Rodrigues. Eles produziram um sistema que reutiliza a água do ar-condicionado automotivo, para que ela ajude na refrigeração do condensador. “Realizamos vários testes e, com a instalação do sistema, a temperatura do ar-condicionado no carro chegou a cair mais de seis graus. Com isso, a gente reaproveita a água, reduz o gasto de combustível e otimiza o sistema de refrigeração”, explica Luís Felipe.

De Ipojuca, Renata Cassiana e Cauã Fernando também reaproveitaram materiais recicláveis para construir um pequeno sistema para utilização de energia solar. Com uma bateria de moto, canos PVC, fios de impressoras e computadores velhos e outras sucatas, eles provaram que pode não ser tão caro investir em fontes alternativas de energia. “O único custo foi com o painel solar, que foi doado para nós. Mas o nosso principal objetivo não é a construção do protótipo, mas a sensibilização para o uso de energias renováveis”, diz Cauã.

Segundo Renata, o município de Ipojuca, onde fica a primeira Usina Termelétrica do estado de Pernambuco, sofre os efeitos da geração de energia com a queima de combustíveis fósseis. “Com nosso projeto, já visitamos escolas, políticos, empresários e várias instituições para mostrar que não é tão difícil achar novas fontes de geração de energia”, explica a aluna.

Assim como os projetos acima, vários outros trabalhos mostram essa preocupação com o meio-ambiente e com problemas como o lixo; a poluição do ar, dos rios e dos mangues; chuva ácida; desperdício de água; entre outros.

A preocupação com a acessibilidade e a inclusão de portadores de necessidades especiais também se revela em projetos de próteses, com uso da robótica ou mesmo da nanotecnologia; ou em trabalhos para introdução do ensino de Libras na escola.

LIÇÃO DA NATUREZA –  Em diversos trabalhos, os estudantes também revelam que observar a natureza pode ser a resposta para muitos avanços científicos. Foi assim que o grupo da cidade de Catu, na Bahia, descobriu que a Calotropis, uma planta comum na região, poderia ser útil para tratar a papilomatose em bovinos. “A gente já tinha visto alguns criadores esfregarem a planta nas feridas dos animais porque diziam que ajudava a sarar. Então decidimos pesquisar mais a fundo”, diz o estudante Emanuel Ernani.

Após extraírem o extrato das folhas em laboratório, eles confeccionaram uma pomada que, testada, apresentou excelentes resultados.

Pesquisa semelhante foi realizada por um grupo de Minas Gerais. As estudantes Lohana Stephany e Lorena Kerolyne decidiram estudar as propriedades medicinais de uma espécie de planta muito comum em sua região, mas apenas por suas flores ornamentais. “Uma professora nossa contou que seu tio curou um câncer usando a batata desta planta. Então decidimos investigar”, conta Lohana.

Elas retiraram o extrato, fizeram testes de saponina, de PH e bacteriológicos, além de análises microscópicas. Descobriram propriedades anti-inflamatórias, antifúngicas e antibacterianas. Desenvolveram fitoterápicos como sabonetes, xampus e pomadas, que demonstraram resultados surpreendentes como cicatrizantes e hidratantes.

 

Outras equipes descobriram que a natureza pode esconder tesouros incríveis. Em Ibubi, por exemplo, pedras comuns, ao serem partidas, revelaram belíssimos cristais, que foram recolhidos e mapeados por João Marcos e Luana Lívia.

Também em Ipubi, Maria Eduarda e Almasi Gracielle descobriram que pedras semelhantes podem guardar outros tesouros: fósseis. E que estes fósseis, de diversas espécies de peixes, podem revelar uma parte da história de quando o Sertão era mar.

A natureza pode fornecer também um alisante para os cabelos que usa apenas uma combinação de aipo, azeite e uma planta conhecida como escubilla. Foi o que descobriu a equipe do Paraguai, formada pelas estudantes Dania Bárbara e Katia Lujan.

Também do Paraguai, os alunos Alejandro Carceres e Lucas Alvarez estudaram as propriedades do agrião aquático, e com ele fizeram uma receita especial de pão. Após análises laboratoriais, descobriram que o pão com agrião tinha 83% mais de ferro que o comum. É um pão que pode combater a anemia, a obesidade e a diabetes, por exemplo.

A Ciência Jovem segue até esta sexta (9). A exposição dos trabalhos no último dia da Feira acontece de 10h às 13h. A solenidade de encerramento e premiação tem início às 15h.

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