TVC TRAÇA RETRATO DA POBREZA

Sétimo desafio do Torneio Virtual de Ciência mapeia desigualdades e revela baixíssima renda familiar dos estudantes

Os estudantes das escolas participantes do Torneio Virtual de Ciência sobrevivem, em sua maioria, com renda familiar de menos de dois salários mínimos. Essa foi a principal conclusão do último desafio, que convidou alunos a fazerem uma pesquisa na comunidade escolar para mapear desigualdades. Não por acaso, a desigualdade de renda é apontada como o principal problema – muitas vezes associada à raça ou à gênero.

As notas do último desafio já estão disponíveis. No dia 12, será publicado o resultado preliminar do Torneio, com a classificação por série e região. A partir de então, as equipes têm até dia 16 para entrar com recursos. O resultado final será publicado no dia 19 e, no dia 30, será realizada a solenidade de premiação. Confira as notas:

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Alguns dados impressionam. Na Escola Dário Gomes de Lima, localizada no município de Flores, 70% dos pesquisados de um dos grupos inscritos tinham renda familiar de um salário mínimo. A baixa renda se repete na maioria das escolas onde, segundo os dados dos participantes, a maior parte dos pesquisados vive com renda inferior a dois salários mínimos. A exceção são as escolas privadas e algumas escolas técnicas.

Os pardos são maioria no que se refere à raça. O Colégio Alberto Torres, em Tejipió – Recife, concentra o maior número de pesquisados que se declaram pretos: 23,1%. Na mesma escola, são 47% de pardos e 19,7% de brancos. Quase 80% têm renda familiar de menos de dois salários mínimos.

A presença de indígenas é mais forte na EREM Nestor Valgueiro de Carvalho, em Floresta. Segundo a pesquisa dos participantes do TVC, são 16,36% de indígenas; 14,48% de pretos e 52,54% de pardos.

Em escolas privadas, revela-se a ausência ou baixíssimo número de pretos. É o caso do Educandário Tércio Correia, em São Vicente Férrer; ou do Colégio Lubienska, em Recife, nos quais nenhum pesquisado se declarou preto.

Algumas escolas, a exemplo da ETE José Alencar, de Paulista, cruzaram as informações da pesquisa e constataram que brancos e pardos têm renda superior e maior escolaridade que os pretos.

Já a Escola Maria Edith Rhoden, instituição privada em Roda Velha-Bahia, traçou um cenário das desigualdades de gênero. Entre as mulheres pesquisadas, 36% tinham renda de um a dois salários mínimos e 24%, nenhuma renda. Entre os homens, 54% recebiam de 2 a 5 salários mínimos.

Em relação à orientação sexual, na maioria das escolas, mais de 90% dos pesquisados se declara heterossexual. Mas há um número alto de pessoas que preferem não revelar esta informação. Este indício de heteronormatividade estimulou a realização de campanhas e debates em algumas escolas, a exemplo da Galtemir Lins.

Dentre as participantes, as escolas com maior percentual de pesquisados que se autodeclarou não heterossexual (homossexual, bissexual, transexual, outros) foram o Colégio São José e o Alberto Torres, ambos na capital pernambucana.

PROPOSTAS – Como solução para as desigualdades apontadas, as propostas foram diversas. Alguns grupos reforçaram a importância das ações afirmativas como a política de cotas. Outros promoveram campanhas para inclusão de portadores de necessidades especiais. Houve também os que fizeram projetos de Lei para serem apresentados à Câmara de Vereadores dos Municípios: para valorização dos professores; para priorizar a população local como mão-de-obra em empresas que se instalarem na cidade; para oferta de cursos e atividades extraescola.

Outros grupos criaram projetos de ação social, a exemplo da Escola Maria Emília Cantarelli, que pretende se unir a ONGs e empresas parceiras para realizar um projeto de empoderamento para mulheres negras, que combata o preconceito, estimule debates e oferte cursos e atividades.

O Torneio Virtual De Ciência é  uma competição que dura o ano inteiro e, a cada mês, apresenta  um desafio por meio do site do Espaço Ciência, nas diversas áreas do conhecimento:  Física, Química, Biologia, Matemática, Robótica, Astronomia.

Foram lançados sete desafios. O primeiro propôs a apresentação de soluções naturais para um problema relacionado à água que afetasse a escola ou comunidade do grupo. O segundo pediu, entre outras coisas, um experimento que estimasse a quantidade de energia solar enviada todo mês para Pernambuco. O terceiro foi uma campanha de coleta de resíduos plásticos; o quarto, um Bolão da Copa do Mundo; o quinto, um experimento na área de Robótica; o sexto uma competição de lançamento de foguetes; e o sétimo, uma pesquisa sobre as desigualdades na escola.

Embora cada equipe seja representada por um professor e dois alunos, a turma inteira e diversos professores participam do processo, transformando os conteúdos escolares em divertidas descobertas interdisciplinares.

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