CIENTISTAS HOMENAGEADOS

Sessão solene na Assembleia Legislativa lembra que nenhum país se desenvolve sem valorizar sua Ciência e seus cientistas

“Nenhum país se desenvolve sem valorizar sua Ciência e seus Cientistas”. A afirmação, feita pelo reitor da UFPE, Anísio Brasileiro, resume o sentimento que ficou da sessão solene realizada nesta quinta (25) na Assembleia Legislativa. A atividade, que integra a programação da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia em Pernambuco, prestou homenagem aos três novos Notáveis Cientistas de Pernambuco (NCP): Padre Borghi, Amauri Coutinho e Luiz Antônio Marcuschi.

O projeto garante que, a cada ano, três cientistas de Pernambuco recebam homenagens póstumas e passem a integrar a Caravana Notáveis Cientistas de Pernambuco. A Caravana é parte da ação itinerante do Espaço Ciência e viaja pelas várias regiões do estado, com totens e caricaturas dos homenageados e atividades interativas que divulgam suas pesquisas e realizações. “É uma forma de valorizar nosso potencial e fazer com que as pessoas, sobretudo os jovens, se inspirem nestes exemplos e se interessem pela Ciência”, afirma o diretor do Espaço Ciência, Antônio Carlos Pavão.

A solenidade foi presidida pelo deputado Jadeval de Lima e o requerimento para realização da sessão veio do deputado João Eudes. Além dos parlamentares, compuseram a mesa o reitor Anísio Brasileiro (UFPE); o presidente do Memorial dos Notáveis Cientistas de PE, Hélio Teixeira; o diretor do Espaço Ciência Antonio Carlos Pavão; e o professor da UFRPE Antônio Carlos Miranda, que também foi responsável pela palestra sobre “Ciência e redução das desigualdades”.

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Em várias falas, os participantes da mesa ressaltaram que garantir o acesso ao conhecimento científico é ampliar as possibilidades de reduzir desigualdades e de combater a opressão. Em sua palestra, Antonio carlos Miranda lembrou que a redução da desigualdade é um dos chamados ODS – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável traçados pela ONU. No entanto, relatório da própria Organização das Nações Unidas mostra que estas desigualdades vem aumentando no mundo. Para Miranda, não basta a Ciência para mudar este cenário. É preciso uma ação política.

Por outro lado, a cada homenagem feita, ficou evidente o papel que os cientistas exercem na aproximação entre o saber científico e a realidade social.

Padre Borghi, ou Don Carlo Borghi, o criador do centro de pesquisas em física nuclear no Recife. O amigo Attilio Dall’olio, que recebeu a homenagem em seu nome, o descreveu como um típico sábio renascentista: “Ele não era apenas um físico. Era filósofo; discutia questões de teologia e religião; era poeta, contista, amava música, pintava… tinha muita sensibilidade e amplo conhecimento”, lembra.

Ele descreve o Centro de Pesquisas em Física Nunclear como um ambiente multidisciplinar e que prezava pela diversidade e respeito às diferenças. “Ele deixou sementes que continuam florescendo e frutificando”, afirmou Attilio.

Amauri Coutinho completaria 100 anos em 2018. Colecionador de prêmios e méritos desde jovem, ele foi professor, pesquisador, médico, fundador de várias associações e sociedades. Mas, em todo seu percurso, ressalta-se a busca de aliar seus conhecimentos às necessidades sociais. Foi assim que ele se dedicou a pesquisar doenças como a filariose e esquistossomose e obter muitos avanços nestas áreas. Foi com este objetivo que ele criou o Programa de Saúde Comunitária em Vitória de Santo Antão (projeto Vitória).

Para Ana Lúcia Coutinho que, junto com sua irmã Sônia, recebeu a homenagem ao pai, ele era muito amável, tinha um prazer imenso em ensinar, demonstrava sensibilidade junto aos seus pacientes e fazia questão de ressaltar a importância da ética no exercício da profissão. “Ele gostava muito de conviver com os estudantes e médicos mais jovens, inclusive amparou vários deles durante a ditadura militar”, lembra Ana Lúcia.

Luiz Antonio Marcuschi, gaúcho que acabou por se tornar pernambucano, também foi um guerreiro na busca de fazer com que a Ciência, especialmente as Ciências Humanas, se aproximasse das pessoas e as trouxesse para junto.

Como linguista, uma de suas preocupações sempre foi pesquisar o papel social da Linguagem. Para sua filha Marina Marcuschi que, junto com a esposa Elizabeth Marcuschi, recebeu a homenagem, o pai era mais que um cientista. Era um pensador humanista, com um desprendimento, uma generosidade e uma disposição para dialogar que encantava a todos. “Eu e meu irmão o chamávamos de Mister M, por que ele era, para nós, um pouco mágico, um pouco contador de histórias… um homem capaz de nos encantar e nos fazer duvidar sempre das respostas prontas”, lembrou Marina.

E foi com um citação de Santo Agostinho que ela fechou a Sessão Solene: “A esperança tem duas filhas lindas: a indignação e a coragem. A indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las”.

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