DIA NACIONAL DA CIÊNCIA

Em debate com apresentação cultural no Espaço Ciência, cientistas denunciam cortes orçamentários

 

Neste domingo, 8 de julho, Dia Nacional da Ciência, os cientistas brasileiros não têm o que comemorar. Os sucessivos cortes orçamentários foram o mote das atividades que aconteceram em todo o país. Em Pernambuco, houve debate e apresentação cultural no auditório do Espaço Ciência.

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Para o diretor do Museu, Antonio Carlos Pavão, a “progressiva diminuição dos investimentos em Ciência e Tecnologia que vem ocorrendo no Brasil diminui a possibilidade de recuperação econômica, piora a qualidade de vida e reduz a autonomia do país”.

Foi este o tom das atividades deste domingo em todo o país. Os bonecos gigantes do Espaço Ciência, por exemplo, se uniram à “Marcha Pela Ciência” de São Paulo.  Estavam representados o físico Albert Einstein, o geógrafo Aziz Nacib Ab’Saber, a psiquiatra Nise da Silveira e o físico José Leite Lopes. Houve atividades também no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Belém e Brasília. Em Fortaleza e na Bahia, os eventos foram antecipados para o dia 1º e 2 de julho, respectivamente.

No Espaço Ciência, teve apresentação cultural de um Dueto de Acordeons e debates sobre “O Futuro da Ciência”. O evento foi organizado pela SBPC-PE (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), em parceria com o Espaço Ciência.

Além do Dia Nacional da Ciência,  instituído pela Lei nº 10.221, de 2001, o 8 de julho marcou também o Dia Nacional do Pesquisador (Lei nº 11.807/2008) e o aniversário de 70 anos da SBPC. 

TESOURA DA CIÊNCIA – Desde 2015, os investimentos em Ciência e Tecnologia vem sofrendo cortes progressivos. O orçamento 2018 do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) é cerca de 19% menor do que o que foi aprovado para 2017 pelo mesmo Congresso. O orçamento movimentável, destinado a custeio e investimento foi de aproximadamente R$ 4,7 bilhões, 25% a menos do que o aprovado para o orçamento de 2017. 

Sobre este pequeno valor, ainda incide a tesoura dos contingenciamentos, reserva que o governo faz quando avalia que suas contas podem não fechar. Logo no início do ano, foi feito um contingenciamento de cerca de 10% sobre o orçamento do MCTIC, fazendo com que os já parcos recursos fossem reduzidos de R$ 4,7 bilhões para R$ 4,1 bilhões. O valor é cerca de R$ 2 bilhões menor que o investido em 2006, em valores corrigidos pelo IPCA, e cerca de um terço do investido em 2011.

“Estes cortes afetam direta e profundamente as agências de fomento do MCTIC (CNPq e Finep), as instituições de pesquisa do Ministério, o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), o programa dos Institutos Nacionais de C&T (INCTs), os programas de CT&I dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o apoio geral a projetos de pesquisa e de infraestrutura para os pesquisadores e as instituições de pesquisa brasileiras. É alto o risco de laboratórios de pesquisa serem fechados, pesquisadores deixarem o País e jovens estudantes abandonarem a carreira científica”, denuncia manifesto publicado no final do ano passado por várias entidades da comunidade científica.

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