MULHERES NA CIÊNCIA

Embora venham ampliando participação em carreiras científicas, mulheres ainda têm longo caminho a percorrer

No ano passado, por mais um ano, nenhuma mulher foi premiada com um Prêmio Nobel Científico. Desde 1901, quando o Nobel foi instituído, as cientistas mulheres receberam apenas 3% dos Prêmios. Em Física, os homens são 99% dos laureados; em Química, eles são 98% e, em Medicina, 94%. E, vale ressaltar, não faltam candidatas.

No ano passado, por exemplo, entre as várias candidatas ao Nobel de Medicina, estavam a pesquisadora Arlene Sharpe, da Universidade de Boston; a francesa Emmanuelle Charpentier e a norte-americana Jennifer Doudna. A primeira  pesquisava o aproveitamento de defesas próprias do corpo humano para combater o câncer. As outras duas desenvolveram uma técnica de edição genética que pode vir a salvar vidas.

Em Física, a dinamarquesa Lene Vestergaard Hau reduzira a velocidade de um raio de luz a apenas 17 metros por segundo. Em Química, a norte-americana Carolyn Bertozzi conseguira iluminar a comunicação entre células para entender processos como o câncer.

Várias cientistas morreram sem ter recebido o Nobel. A astrônoma Vera Rubin, que apresentou a primeira prova da existência de matéria escura, faleceu em dezembro de 2016. Deborah Jin, que estudou as propriedades da matéria a temperaturas próximas do zero, morreu prematuramente em setembro do ano passado, vítima de câncer.  Também no ano passado, morreu Mildred Dresselhaus, conhecida como “rainha do carbono” por seus estudos pioneiros sobre as propriedades eletrônicas dos materiais. Nunca ganhou um Nobel.

SUB-REPRESENTADAS – Esse índice baixíssimo de reconhecimento no principal Prêmio Científico do mundo mostra que as mulheres, embora tenham ampliado significativamente sua participação na carreira científica, ainda tem um longo caminho a percorrer.

No Brasil, dados de 2010 mostravam que, dentre os 128,6 mil pesquisadores registrados na base de dados do CNPq, homens e mulheres tinham alcançado o ponto de equilíbrio. Neste mesmo ano, elas já eram maioria entre líderes de grupos de Pesquisa.

No entanto, os números se invertem quando se trata das bolsas de produtividade. Dados de 2011 revelam que mulheres eram minoria em todos os níveis e a participação decrescia conforme avançava a exigência de titulação. No nível 2, por exemplo, elas eram 37,2% das contempladas. No nível 1, este percentual baixava para 22,3%.

Para as pesquisadoras Hildete Pereira de Melo e Helena Maria Martins Lastred, autoras do relatório Brasil – Gênero, Ciência, Tecnologia e Inovação – um olhar feminino, de 2003, a grande dificuldade, para as mulheres, é conciliar a carreira científica e a vida familiar.

Dados da Pesquisa Nacional de Amostragem Domiciliar (PNAD/IBGE), de 2001, mostram que 46,2% da população ocupada feminina com 3º grau não têm filhos. Ou seja, enquanto as responsabilidades pelas atividades domésticas e de criação dos filhos não forem compartilhadas de forma equilibrada entre homens e mulheres, elas permanecerão sendo obrigadas a optar pela carreira ou pela família.

Outro desafio é ampliar a participação nas áreas das quais as mulheres foram excluídas durante mais tempo, como as Ciências Agrícolas, Exatas e da Terra. Embora os índices venham progredindo a cada ano, elas ainda são apenas 36% nas Ciências Agrícolas; 32% em Física, Matemática e Química; e 39% nas Engenharias.

Com: ANSEDE, Manuel (El País, out/2017); BOLZANI, Vanderlan (Ciência e Cultura, 69); MASCARENHAS, Maria das Graças (Agência Fapesp, 2003)

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