LUTO NA DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA

Ciência perde Jorge Wagensberg, físico e museógrafo que deixou legado imenso para a divulgação científica no mundo

Faleceu, neste sábado, 03 de março, aos 69 anos, o cientista e museógrafo Jorge Wagensberg. O físico espanhol esteve à frente de importantes museus de Ciência do mundo e construiu um referencial teórico fundamental para os que atuam na divulgação científica. Em 2017, ele ministrou um Curso de Museologia Total e  foi um dos palestrantes do 2º Encontro da ABCMC – Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência , realizado no Espaço Ciência.

Wagensberg foi diretor do Museo de la Ciencia de Barcelona, embrião de um dos centros mais inovadores do mundo, o Cosmocaixa. Atualmente, vinha colaborando com o projeto do futuro Museu Hermitage, de Barcelona, cuja proposta é fundir arte e ciência.

Para o diretor do Espaço Ciência, Antonio Carlos Pavão, a contribuição de Wagensberg para a Divulgação Científica é inestimável. “Aqui, no Espaço Ciência, nós nos inspiramos em seu conceito de Museu de Ciência Hearts on, que envolve as pessoas de forma integral – emocionalmente e racionalmente, estimulando curiosidades e despertando o desejo do conhecimento”, diz Pavão.

Para Wagensberg, Museus de Ciência, são “porções de realidade concentrada”. Nada impede que se recorra a objetos, simulações ou programas de computador. Mas apenas como acessórios da realidade, não para tomarem o seu lugar. Assim, há que ser fiel à realidade e reconhecer que é impossível substitui-la, mas é possível estimular o visitante a conhecê-la melhor.

Autor de centenas de publicações, ele foi o criador da coleção “Metatemas” – “livros para pensar ciência”, da editora Tusquets. A coleção publicou mais de uma centena de títulos de autores como: Schrödinger, Einstein, Konrad Lorenz, Richard Feynman, Stephen Jay Gould, Jacques Monod, François Jacob, Norbert Wiener, Murray Gell-Mann, Martin Gardner, Martin Rees, Richard Dawkins, Benoît Mandelbrot, Lynn Margulis, Douglas Hofstadter, Sheldon Glashow, René Thom e o próprio Wagensberg.

Para Pavão, a tristeza não é apenas pela perda do cientista e museógrafo, mas da figura humana de Wagensberg: “Estivemos juntos em muitas oportunidades, em encontros em várias partes do mundo. Trocávamos muitas ideias, tínhamos projetos em comum. Uma pessoa admirável… uma grande perda para todos”

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