José Leite Lopes

(1918-2006) Físico Teórico Homenageado em 2007
Série Sinopses Biográficas

leite-lopesJosé Leite Lopes nasceu em Recife no dia 28 de outubro de 1918. Filho do comerciante José Ferreira Lopes e de Beatriz Coelho Leite. Leite Lopes perdeu a mãe três dias após seu nascimento, vítima da gripe espanhola, e foi criado pela avó Claudina. Realizou seus estudos secundários no Colégio Marista, em Recife.

Em 1935 ingressou na Escola de Engenharia de Pernambuco, no curso de Química Industrial. Entrou para o curso de Física da Faculdade Nacional de Filosofia, no Rio de Janeiro, em 1940, concluindo o mesmo dois anos depois. Neste mesmo período foi professor do ensino secundário no Instituto La Fayette e trabalhou no Instituto de Biofísica, a convite do professor Carlos Chagas, tendo recebido uma Bolsa Guilherme Guinle.

Em 1943 realizou trabalhos de pesquisa no Departamento de Física da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São Paulo como bolsista da Fundação Zerrenner. No ano seguinte, devido a uma bolsa de dois anos concedida pelo governo americano, iniciou seu Doutorado na Universidade de Princeton (USA). Lá trabalhou com Joseph M. Jauch e iniciou seu trabalho de tese sob a orientação de Wolfgang Pauli (prêmio Nobel de Física em 1945 e um dos fundadores da mecânica quântica).

Teve a oportunidade de assistir cursos ministrados por Pauli, José Leite Lopes (1918-2006) Físico Teórico Homenageado em 2007 21 Série Sinopses Biográficas Reichenbach e Einstein. Em 1946 recebeu seu título de Ph.D. e, neste mesmo ano, foi nomeado professor de Física Teórica e Física Superior da Faculdade Nacional de Filosofia do Rio de Janeiro.

Mantinha comunicação regular com Cesar Lattes, que, em 1947, juntamente com Occhialini e Powell, realizou a descoberta do Meson Pi, utilizando radiação cósmica incidindo em Emulsão Nuclear. Aproveitando a publicidade que se estabeleceu em torno desta descoberta, Leite Lopes, Mário Schenberg, Lattes, e outros pesquisadores resolveram criar um centro de pesquisa.

Assim, em 1949, o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) foi fundado. Ganhou uma bolsa de pesquisa da Fundação Guggenheim, nos anos de 1949-1950, e foi, a convite de Robert Oppenheimer (diretor do Projeto Manhattan para o desenvolvimento da Bomba Atômica na época da Segunda Guerra Mundial), trabalhar no Instituto de Estudos Avançados de Princeton.

Lá escreveu um trabalho, junto com Richard Feynman (laureado com o prêmio Nobel de Física em 1965), relativo à descrição do Deutron, pela teoria pseudo-escalar, com um tratamento adequado à singularidade da força tensorial na origem.

Um de seus mais famosos artigos, A Model of the Universal Fermi Interaction, publicado em 1958, serviu de base para vários outros estudos, e as teses nele apresentadas foram comprovadas pelos cientistas Abdus Salam, Steve Weinberg e Sheldon Glascow, que foram premiados, em 1979, com o prêmio Nobel de Física por um trabalho inspirado pelo desenvolvido por Leite Lopes.

Em 1964 foi perseguido pelo governo militar, e passou a viver como exilado político na França, onde foi convidado, por Maurice Lévy, a lecionar como Professor Associado da Faculdade de Ciências de Orsay, onde permaneceu até 1967. Neste período, influenciou e estimulou cinco jovens engenheirandos pernambucanos a seguirem carreira científica na Física, tendo sido estes, posteriormente, os fundadores do atual Departamento de Física da UFPE.

Por iniciativa deste departamento, a UFPE, em 1981, concedeu a Leite Lopes o título de Doutor Honoris Causa. Novamente perseguido pelos militares, foi uma das vítimas do famigerado Ato Institucional nº 5 (AI-5). Teve seus direitos políticos cassados e foi aposentado compulsoriamente em 1969.

Aceitou então, a partir de 1970, o convite da Universidade de Strasbourg, onde ficou até 1985, quando retornou, definitivamente, ao Brasil para dirigir o CBPF, até 1989. Deixou-nos, aos 87 anos, mas a lembrança de um homem com vocação para o ensino de ciências, que dedicou toda sua vida à criação de um ambiente científico no Brasil e preocupado com o papel ético e social do cientista, estará sempre viva em nossa memória.

Hoje em dia, o Espaço Ciência de Pernambuco presta homenagem a este grande cientista, e notável intelectual voltado para as questões sociais do Brasil, enaltecendo, nos tempos de festas, sua imagem como Boneco do Carnaval de Olinda.

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