Frederico Simões Barbosa

(1916 – 2004) Médico Epidemiologista Homenageado em 2015
Série Sinopses Biográficas

Nasceu em 27 de julho de 1916, na cidade do Recife (PE), filho de Fernando Simões Barbosa e Maria Simões Barbosa. Formou-se em 1938 pela Faculdade de Medicina do Recife. Desde o início da carreira engajou-se tanto na vida acadêmica – onde foi docente das cadeiras de microbiologia, parasitologia, zoologia e medicina preventiva na então Universidade do Recife, posteriormente, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e na Faculdade de Ciências Médicas de Pernambuco (UPE) –, quanto no desenvolvimento de pesquisas e políticas voltadas para as condições de saúde de sua região ao longo das décadas de 1940 e 1950.

Em 1952 formou-se em história natural pela Faculdade Católica de Pernambuco (Unicap). O foco de suas investigações foi a esquistossomose mansônica, cujos fatores de desenvolvimento foram seu objeto de estudo. Participou da fundação do Instituto Aggeu Magalhães em Pernambuco, atual Centro de Pesquisa Aggeu Magalhães (CPqAM), que dirigiu por dois períodos, em 1950- 1961 e 1964-1969, e com o qual esteve sempre vinculado profissionalmente.

Entre as décadas de 1950 e 1970 construiu uma significativa carreira de consultor e perito junto à Organização Mundial da Saúde (OMS), à Organização Pan-Americana da Saúde e à Organização para Agricultura e Alimentação das Nações Unidas. No entanto, mantinha intercâmbios Frederico Simões Barbosa (1916 – 2004) Médico Epidemiologista Homenageado em 2015 136 Ciências Biológicas e Saúde acadêmicos internacionais desde a década de 1940, quando realizou o mestrado em saúde pública na Faculdade de Higiene e Saúde Pública da Universidade Johns Hopkins e outros cursos e treinamentos nos Estados Unidos.

Na passagem pela OMS, atuou como parasitologista responsável pela avaliação do uso de moluscicidas no combate à esquistossomose em regiões africanas. Participou de pesquisa em Gana, refutando relatórios anteriores da instituição que aprovavam o uso de tais produtos no mais importante lago daquele país.

Após seu retorno ao Brasil, foi coordenador do Programa Internacional Brasil, Egito e Hungria de pesquisa sobre recursos humanos e atenção primária à saúde (1972- 1975) e iniciou sua trajetória na Universidade de Brasília. Na Faculdade de Ciências da Saúde, como professor de medicina comunitária (1972-1981) e como diretor (1975- 1976), desenvolveu programa de integração docente assistencial junto a comunidades carentes do Distrito Federal.

Esse trabalho pioneiro contribuiu para a área de formação de recursos humanos em saúde, combinando conceitos das ciências sociais e das ciências médicas, desenvolvendo nos estudantes e de modo consistente, o ensimento de um acurado pensamento crítico sobre os determinantes da doença e seu componente político/social.

Integrou o grupo de pesquisadores pioneiros da fundação da Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, da qual foi o primeiro presidente (1979-1981). Foi igualmente, na década de 1990, o fundador da Secretaria Regional da SBPC em Pernambuco e seu primeiro secretário regional. Em 1983 ingressou na Escola Nacional de Saúde Pública como professor de epidemiologia, e foi seu diretor entre 1985 e 1989.

Desempenhou papel 137 Série Sinopses Biográficas central na criação do Núcleo de Doenças Endêmicas Samuel Pessoa, transformado em departamento em 1993, onde abriu espaço interdisciplinar direcionado às pesquisas dos fatores e das estratégias de controle social do processo saúde-doença, em sua dimensão coletiva.

Em 7 de novembro de 1995, recebeu da Universidade de Brasília o título de “Professor Honoris Causa”. No seu pronunciamento ao receber o Título, o Prof. Frederico Simões Barbosa revela seu compromisso como cientistaeducador ao afirmar: ”A produção científica deve ser simultaneamente um bem cultural e um instrumento de trabalho socialmente comprometido.

As atividades docente e científica são parte da sociedade e só poderão ser entendidas como instrumentos de realização de objetivos sociais bem determinados”.

Após a aposentadoria, retornou ao CPqAM e deu continuidade aos estudos que o acompanharam ao longo de sua carreira: epidemiologia e estratégias de controle da esquistossomose. Morreu em 8 de março de 2004, no Recife.

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