Dárdano de Andrade Lima

(1919 – 1981) Botânico Homenageado em 2014
Série Sinopses Biográficas

dardanoFilho de João Francisco de Lima e Francisca Farias de Andrade Lima, Dárdano de Andrade Lima nasceu em 02 de setembro de 1919, na cidade de João Pessoa/PB, de onde se transferiu alguns anos mais tarde para Pernambuco. Em Recife, fez seus preparatórios no Ginásio do Recife e Ginásio Oswaldo Cruz, onde desenvolveu importante parte de sua formação profissional e exerceu suas funções como pesquisador permanente.

Formado em Agronomia pela Escola Superior de Agricultura da Universidade Federal Rural de Pernambuco, no ano de 1943, pós-graduado (Master of Science) em Botânica Florestal no “New York State College of Foresty”, Estados Unidos da América, em 1954. Iniciou suas atividades de magistério superior na Universidade Católica de Pernambuco (1948-51).

Pertenceu desde 1949 ao corpo docente da Universidade Federal Rural de Pernambuco. Foi igualmente professor do Instituto de Biociências da Universidade Federal de Pernambuco a partir de 1959. Na qualidade de professor convidado, teve oportunidade de colaborar em Cursos de mestrado, de aperfeiçoamento ou de especialização em diversas Universidades, Escolas isoladas ou Institutos, entre os quais Universidade Federal do Ceará, Universidade Federal de Alagoas, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Universidade Federal de Santa Catarina e Universidade Federal do Rio de Janeiro Dárdano de Andrade Lima (1919 – 1981)  (Museu Nacional), Instituto Joaquim Nabuco e Faculdade de Filosofia do Crato, Ceará.

Contribuiu diretamente para o aumento e a organização das coleções botânicas do Herbário da Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária (IPA). Somente sua coleção pessoal naquele Herbário atingiu cerca de 8.000 espécimes. Foi responsável pela criação do Curso de Mestrado em Botânica da Universidade Federal Rural de Pernambuco, em 1973, primeiro Curso de Pós-Graduação em Botânica de todo o Norte e Nordeste do Brasil, tendo sido seu primeiro Coordenador.

Ocupou o cargo de Pesquisador do Instituto de Pesquisas Agronômicas – IPA, atual Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária – IPA, seção de Botânica, no período de 1974 a 1978, onde se aposentou.Integrou expedições científicas promovidas por instituições estrangeiras e nacionais. Entre elas merece destaque: Expedição de Oxford e Cambridge à América do Sul, para realizar observações florísticas e fitogeográficas no Brasil central (1958); Expedição Reading University (Inglaterra) ao Nordeste brasileiro para a pesquisa sobre formas primitivas de plantas de interesse econômico (1972); Expedição ligada ao projeto da ecologia da Caatinga, organizada pela Academia Brasileira de Ciências (1970/72 e 1974); Excursão ao Chaco Argentino (1979), tendo em vista elucidar questões relacionadas com a origem e evolução das Caatingas do Nordeste brasileiro; Excursões ao Paraguai (1981) dentro do programa de pesquisas sobre problemas de imigração de espécies, além de inúmeras outras viagens de estudo no Brasil, particularmente no Nordeste, sempre tendo em vista o conhecimento da vegetação e da flora para o entendimento de diversos fenômenos fitogeográficos. Realizou estágio no ROYAL BOTANIC GERDENS, em Kew, na Inglaterra, com o Dr. N.Y. Sandwith, durante 09 meses nos anos de 1956/57, para estudo das coleções de plantas brasileiras depositadas naquele herbário.

Regressou à mesma instituição, em 1975, para estudo das espécies brasileiras do gênero Mimosa. Continuou na Europa, realizando durante os meses de fevereiro e março de 1975, estágio no Herbário e Jardim Botânico de Munique, Alemanha, para estudo e levantamento das coleções realizadas no Nordeste de Philip von Luetzelburg. Proferiu palestras em Instituições estrangeiras e nacionais, a maioria delas relacionadas com vegetação e flora do Nordeste brasileiro, merecendo destaques as preferidas na Argentina com o patrocínio da “Sociedade Argentina de Botânica”, na Alemanha, junto a Universidade de Hamburgo, na França sobre o patrocínio da “Societé de Biogeographie”, na Inglaterra (Kew Royal Botanical Gardens) e nos Estados Unidos da América, junto ao New York Botanical Garden. Classificou inúmeras espécies botânicas, recebendo de seus alunos, a homenagem de espécies novas como Manilkara dardanoi Ducke.

Publicou diversos trabalhos científicos, entre eles: A Botânica na Carta de Pêro Vaz de Caminha; A flora de Pernambuco e suas relações fitogeográficas; Lista de Nomes Vulgares e Científicos de Plantas do Brasil e Paisagens do Nordeste; e, Evidências através da Botânica. Membro Associado da Academia Brasileira de Ciências; da Societé de Biogeographie de Paris; da International Association for Plant Taxonomy, Ultrecht; da Sociedade Argentina de Botânica, e Sócio Fundador e remido da Sociedade de Botânica do Brasil.

Tornou-se renomado pesquisador da UFRPE e do CNPq. Publicou 70 trabalhos científicos, em revistasa nacionais e internacionais ou como publicações isoladas associadas a entidades científicas da área de botânica, destacando-se entre estas publicações: Estudos Fitogeográficos de Pernambuco (1957), A Fitogeografia do Brasil (1963), Bromeliaceae de Pernambuco (1964), Vegetation of Brazil (1966), Cactaceae de Pernambuco (1966), Estudo crítico da nomenclatura fitogeográfica Latino-americana (1966), Contribuição ao estudo de Paratelismo da Flora Amazônia-Nordestina (1966) e folha da vegetação do Brasil (Atlas Nacional do Brasil) (1966).

Eis aí o cientista que dignificou o Nordeste e honrou o Brasil. Botânico excelente, sistemata completo pela cultura, pela formação, pela vivência no campo e pelas pesquisas realizadas, batalhador incansável em prol da conservação e preservação da natureza, profundo conhecedor da vegetação e da flora nordestinas.

Sua devoção à Botânica o acompanhava em todos os atos de sua existência, haja visto, a manifestação mais pura e profunda de um sentimento familiar, qual seja a escolha dos nomes Myrcia, Rúbia, Selene, Érica e Cássia para suas diletas filhas. Dárdano faleceu na noite de 13 de setembro de 1981, deixando como legado para as novas gerações de cientistas brasileiros, seu exemplo de vida de inteira dedicada à Sciência Amabilis.

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