Oswaldo Gonçalves de Lima

(1908-1989) Químico Homenageado em 2013
Série Sinopses Biográficas

Oswaldo Gonçalves de Lima, filho de Vicente Gonçalves Ourém de Lima – que exercia a profissão de solicitador (advogado provisionado) –, e Júlia Baptista de Lima, nasceu no dia 7 de novembro de 1908, em Recife, Pernambuco. Tendo a família fixado residência na cidade de Olinda, ali concluiu o curso primário quando tinha apenas 10 anos, ingressando em seguida, em 1919, ainda em Olinda, no Colégio Arquidiocesano, onde concluiu o curso ginasial. Finalizou sua formação básica, de 2º grau, durante os anos de 1923 e 1925 realizando o equivalente ao curso colegial no Colégio Nóbrega do Recife.

É nesta fase de sua formação que recebeu a forte influência acadêmica do Prof. Pe. Leo Meyer. Atuando como seu monitor na elaboração das aulas-práticas, despertou-o para a beleza da formação dos cristais, por sua variada morfologia, o que definitivamente, levou-o a decisão de estudar química.

Oswaldo Lima não apenas recebeu do Pe. Meyer ensinamentos e estímulos para se dedicar à ciência, mas também o admirou pelo seu lado humano, pela sua personalidade e caráter incorruptível, cujo comportamento lhe imprimia a dignidade e a veracidade de sua ciência.

Oswaldo Lima, logo após ter concluído sua formação básica no Colégio Nóbrega, iniciou sua formação superior no curso de química industrial, na Escola de Engenharia 128 Ciências Biológicas e Saúde de Pernambuco. No entanto, transfere-se para o curso de química do Ministério da Agricultura, na praia vermelha, no Rio de Janeiro, onde se diplomou em 1928.

Inicia sua carreira profissional em 1930, como químico da Usina Professor Portela, Granjas Reunidas do Norte, localizada em Bocaiúva, Minas Gerais. Em seguida, já de retorno a Pernambuco, em 1932, trabalhou como químico e gerente da Usina Água Branca.

Foi em 1934 que Oswaldo Lima ingressou na carreira docente, como Professor da Escola de Engenharia de Pernambuco, regente titular das disciplinas de microbiologia industrial, técnicas das fermentações e química analítica quantitativa.

No período entre 1937 e 1944, foi químico-diretor das industrias Carlos de Brito e Cia, empresas conhecidas por “Fabricas Peixe”, de doces e derivados de tomates, com sede em Pesqueira-PE. É nesta condição de químico-diretor das Fabricas Peixe, que Oswaldo Lima, reconhecendo o talento e vocação para a ciência do jovem José Leite Lopes, brilhante aluno do curso de química industrial, e concluinte do ano de 1939 – igualmente um dos Notáveis Cientistas Pernambucano –, conseguiu com o proprietário da empresa, Manuel de Brito, uma bolsa de estudo que permitiu Leite Lopes estudar física na Faculdade Nacional de Filosofia, no Rio de Janeiro.

Oswaldo Lima, a partir de 1934, além das atividades de docência, inicia seus primeiros trabalhos de pesquisa, dedicando estudos pioneiros ao problema de destinação das caldas (vinhaças) de destilarias como fertilizante – prática hoje disseminada nos plantios de cana, solucionando a intrigante questão de variação do pH do solo, algumas semanas após a irrigação de vinhaça, efeito este indesejável para o plantio da cana.

Nos anos de 1950 e 1951, desenvolveu atividades de pesquisa na Colômbia e na Guatemala e como pesquisador visitante na Universidade Nacional Autônoma do México, isolou a partir de amostras de seiva de agave fermentada (pulque) vários microrganismos, dentre os quais a bactéria móvel de Barker-Hillier-Lindner, denominada, Zymomonas mobilis.

Após 20 anos de pesquisa com esta espécie de bactéria, Oswaldo e colaboradores, conseguem isolar, a partir do caldo de cana fermentado, uma nova amostra de Z. mobilis (CP-4), que revelou-se ser a mais eficiente produtora de etanol, descoberta que colocava Pernambuco no centro do pioneirismo da biotecnologia moderna.

As contribuições do pesquisador Oswaldo Lima, traduzidas em artigos científicos publicados, levaram à industrialização de produtos pelo Laboratório Farmacêutico de Pernambuco (LAFEPE), como o Imunoparvum, e os antibióticos antitumorais, Bioact-D e o Lapachol e para doenças parasitárias – como, amebíase e giardíase –, dando origem ao remédio Menta Crispa, produzido e comercializado atualmente, pelo laboratório privado Hebron.

O pioneirismo do Prof. Oswaldo Lima se evidencia em 1952, quando fundou o Instituto de Antibióticos da então Universidade do Recife, fruto da sua persistência, obstinação e dedicação. Transformado no atual Departamento de Antibióticos: Instituto Oswaldo Lima, do Centro de Ciências Biológicas da UFPE, se constitui numa importante unidade de pesquisa da UFPE, reconhecidamente, desenvolvendo atividades de pesquisa e formação de pesquisadores, nas áreas de fronteira da genética de microrganismos, fármacos de origem microbianas, farmacologia e cancerologia experimental.

O notável cientista pernambucano, Oswaldo Lima, faleceu no Recife, em 21 de setembro de 1989, de complicações decorrentes do Mal de Parkinson.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *