Aggeu de Godoy Magalhães

(1898-1949) Médico Homenageado em 2011
Série Sinopses Biográficas

agnu-magalhõesAggeu de Godoy Magalhães nasceu no dia 7 de dezembro de 1898, em Petrolândia, Sertão de Pernambuco. Filho de Sérgio Nunes de Magalhães e Antônia de Godoy Magalhães, passou sua infância no Recife e estudou no Ginásio Pernambucano. Aos 22 anos, formou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1920, sendo o laureado da turma. Na faculdade, como contemporâneos, conheceu o professor Carlos Chagas e o médico Belisário Penna, dos quais se tornou amigo.

Recém-formado, foi convidado pela direção da faculdade a permanecer no Rio de Janeiro, mas recusou o convite e voltou ao Recife para trabalhar e ajudar a família. Na época de seu retorno a Pernambuco, a febre amarela e a malária eram endêmicas em toda a Região Metropolitana do Recife. A taxa de mortalidade por tuberculose e varíola também era elevada. Sua carreira de sanitarista começou quando foi convidado por Amaury de Medeiros para trabalhar em sua equipe.

Posteriormente, foi nomeado diretor do Serviço de Profilaxia Rural, onde desenvolveu um grande trabalho no combate à febre amarela e à malária, abrindo vários postos de saúde em Pernambuco. Em 1922, tornou-se membro na Sociedade de Medicina de Pernambuco (SMP).

Foi nomeado professor titular da cadeira de Anatomia Patológica da Faculdade de Medicina do Recife em 1925. Tornou-se, em 1928, presidente da SMP, posição mantida até 1929, quando, por indicação da Fundação Rockfeller, do Rio de Janeiro, foi convidado a fazer um curso de especialização nos Estados Unidos, onde permaneceu por seis meses, estagiando no Departamento de Patologia da Universidade de Columbia, em Nova Iorque.

Em seguida, transferiu-se para o Departamento de Patologia da Universidade de Toronto, no Canadá, onde estagiou por mais seis meses. Nessa instituição, desenvolveu trabalhos experimentais em macacos infectados com o vírus da febre amarela e descreveu, pela primeira vez, lesões encontradas em células renais, chamadas “inclusões nucleares”.

Ao retornar ao Recife, em 1930, voltou a dedicarse à cadeira de Anatomia Patológica no Hospital Infantil Manoel Almeida, onde havia laboratórios da Faculdade de Medicina. No local, passou a aplicar técnicas trazidas dos Estados Unidos, como necrópsias e preparações histológicas.

Em 1933, o Departamento de Saúde do Estado de Pernambuco cria o Serviço de Verificação de Óbitos (SVO), sob a direção de Aggeu Magalhães. O serviço destinava-se a realizar necropsias em pessoas que haviam falecido de causas desconhecidas e sem assistência médica.A partir do trabalho desenvolvido, foi possível detectar a presença de doenças até então desconhecidas na Região, a exemplo da esquistossomose mansônica e suas áreas de manifestação.

O professor Aggeu Magalhães foi um dos idealizadores do Instituto de Pesquisas Agronômicas de Pernambuco (IPA), criado em 1935 pelo seu irmão, Agamenon Magalhães, na época, governador do estado. Em 1937, tornou-se diretor da Faculdade de Medicina do Recife. Entre os fatos que marcaram sua administração estão o apoio à Casa do Estudante, à Sociedade Acadêmica de Medicina e à construção de um novo prédio para o SVO.

Suas pesquisas, desenvolvidas principalmente na área de esquistossomose, passaram a despertar o interesse de médicos de todo o país. Em 1946, Aggeu Magalhães, que no fim da década anterior já se mostrava preocupado com a organização dos serviços de assistência hospitalar em Recife, é nomeado presidente do Instituto de Assistência Hospitalar.

Naquele mesmo ano, por sugestão sua, o então governador José Domingues criou a Secretaria de Saúde e Educação do Estado de Pernambuco. Indicado ao cargo, permaneceu de março a agosto de 1946. Inaugurou as instalações do primeiro banco de sangue estadual e instalou um serviço de urgência no Hospital de Olinda.

Na área da educação, firmou parcerias com a iniciativa privada para ampliar a distribuição da merenda escolar, realizou uma reforma técnica do ensino primário, construiu uma escola normal rural no interior e criou a Faculdade Estadual de Filosofia.

Em 1948, autoridades do Ministério da Saúde e Educação visitaram Pernambuco para tratar da instalação de um centro de helmintoses no Estado, sonho antigo de Aggeu Magalhães. O então governador Alexandre José Barbosa Lima Sobrinho concedeu o terreno. A construção foi iniciada, mas Aggeu Magalhães não chegou a ver o prédio concluído.

Aggeu Magalhães faleceu em 1949, um ano antes da inauguração do centro de pesquisas. Como homenagem, a instituição recebeu seu nome – inicialmente, chamouse Instituto Aggeu Magalhães, tornando-se, mais tarde, Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães (CPqAM), integrado à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) na década de 1970. Em 1986, sob a direção de Aggeu Magalhães Filho, transferiu sua sede para o campus da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Atualmente compreende os departamentos de Imunologia, Parasitologia, Microbiologia, Entomologia, Patologia e Biologia Celular e Saúde Coletiva, e é um centro de referência internacional em filariose, da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *