Ulysses Pernambucano de Mello Sobrinho

(1892-1943) Psiquiatra Homenageado em 2010
Série Sinopses Biográficas

ncp TODOS OS CIENTISTASUlysses Pernambucano nasceu em Recife, no dia 6 de janeiro de 1892, filho de José Antonio Gonçalves de Mello, formado em Direito, e de Maria da Conceição de Mello. Foi alfabetizado pelo seu pai e continuou os estudos no Ginásio Aires Gama, educandário particular que ficava na Rua do Hospício. Ainda jovem, decidiu-se pela carreira médica. Na época, não havia faculdade de medicina no Recife. Com isso, ainda adolescente, foi estudar no Rio de Janeiro.

Especializou-se em psiquiatria. Foi orientado academicamente pelo Prof. Juliano Moreira, considerado fundador da psiquiatria brasileira, e teve oportunidade de presenciar a revolução nos procedimentos médicos e na humanização das condições de vida dos pacientes internados. Em 1912, graduou-se em Medicina, pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.

Entre os anos de 1913 e 1917, de volta a Pernambuco, sensibilizado pelas precárias condições de vida e das necessidades da população, trabalhou como clínico geral em cidades do interior do estado. Em janeiro de 1918, foi formalmente criada, no Recife, a cadeira de Psicologia e Pedagogia na Escola Normal Oficial do Estado de Pernambuco, sendo então aberto concurso para esta cátedra. Ulysses concorreu com a apresentação da dissertação “Classificação das crianças anormais. A parada do desenvolvimento intelectual e suas formas: a instabilidade e a astenia mental”. Foi classificado em primeiro lugar, mas, por motivos políticos, o então Governador de Pernambuco Manoel Antonio Pereira Borba nomeia o segundo colocado, para provimento da cátedra.

Em agosto do mesmo ano, Ulysses inscreve-se para o concurso de professor catedrático de Lógica, Psicologia e História da Filosofia. Novamente consegue o primeiro lugar e, desta vez, é nomeado professor catedrático do Ginásio Pernambucano, onde anos mais tarde se tornaria diretor.

Em 1923, Ulisses foi nomeado diretor da Escola Normal, pelo Governador Sérgio Loreto. Sua gestão foi marcada por reformas de caráter social. Introduziu o exame de seleção para admissão à Escola Normal, quando anteriormente o ingresso nesse estabelecimento obedecia a critérios de amizade ou apadrinhamento.

Ulysses não foi brilhante apenas em instituições de ensino; também deixou muitas contribuições para o setor hospitalar. Ainda na direção da Escola Normal, em 1924, foi nomeado para dirigir o Hospital de Doenças Nervosas e Mentais. Entre seus feitos estavam a destruição dos calabouços e das camisas de força, a criação do Pavilhão de Observação, Laboratório de Análises, Pavilhão de Hidroterapia, entre outros.

Em 1930, deixou a direção do Ginásio nas mãos de Olívio Montenegro, quando foi convidado, pelo Interventor Carlos de Lima Cavalcanti, para direção dos serviços de Assistência aos Psicopatas da Tamarineira. Ao observar que o aparelhamento era insuficiente e os métodos terapêuticos utilizados eram absolutamente inadequados, Ulysses promoveu uma reforma no Hospital da Tamarineira.

Realizou vários estudos e pesquisas, muitas das quais publicadas no “Jornal de Medicina de Pernambuco”; nos “Arquivos da Assistência a Psicopatas de Pernambuco” e na Revista “Neurobiologia”, os dois últimos criados por ele, em 1931 e 1938, respectivamente.

Publicou também: em 1924, “Bases fisiopsicológicas da ambidestria”; em 1927, “As médias de estatura dos escolares em Pernambuco”; em 1935, “As doenças mentais entre os negros de Pernambuco”.

Ulysses Pernambucano sempre atuou em defesa das minorias marginalizadas da sociedade, tais como: crianças com necessidades especiais, portadores de deficiência mental, negros e adeptos de religiões africanas. Ao assumir essa posição, foi, muitas vezes, mal interpretado, sendo acusado de comunista, gerando conflitos e dificuldades nas ações administrativas, em decorrência da redução das verbas para manutenção da qualidade do atendimento aos pacientes da Assistência a Psicopatas. Em 8 de novembro de 1935, pediu demissão do cargo de diretor da instituição que implantara.

Em 27 de novembro de 1935, surge em alguns pontos do País a denominada Intentona Comunista. Ulysses, pessoa não grata ao regime, é denunciado pelos seus adversários como “comunista” e “subversivo”, sendo detido e preso na Casa de Detenção do Recife, por 60 dias. Apesar das amarguras vivenciadas, Ulysses ainda encontrou forças para lutar por seus ideais. Assim, em 12 de julho de 1936, fundou o Sanatório Recife, instituição modelar de prestação de serviços aos doentes mentais, na Rua do Padre Inglês, nº 257. Como o primeiro sanatório do Estado de Pernambuco no âmbito da iniciativa privada, logo se tornou um centro psiquiátrico de reconhecido valor.

Faleceu no dia 5 de dezembro de 1943, no Rio de Janeiro, deixando suas contribuições pioneiras no campo da psiquiatria brasileira como legado para o povo pernambucano.

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