Ariano Vilar Suassuna

(1927 – 2014) Cientista Social Homenageado em 2016
Série Sinopses Biográficas

Ariano Vilar Suassuna nasceu em 16 de junho de 1927, na cidade paraibana chamada Nossa Senhora das Neves, hoje João Pessoa, capital do Estado da Paraíba. Filho de João Urbano Pessoa de Vasconcellos Suassuna com Rita de Cássia Dantas Villar, Ariano passou os primeiros anos de sua infância na fazenda Acauham em Taperoá, região do semiárido paraibano, e no Rio de Janeiro, então capital federativa do Brasil, onde seu pai exercia mandato de deputado federal, após ter sido governador da Paraíba no período de 1924 a 1928.

Ariano encontrava-se com pouco mais de três anos de idade quando ficou órfão de pai, passando a ser instruído pela mãe nos rígidos princípios educacionais e religiosos da época. Seu pai, João Suassuna, fora assassinado no Rio de Janeiro, em consequência de luta política às vésperas da Revolução de 1930.

No mesmo ano da morte do pai, sua mãe muda-se com os nove filhos para Taperoá, onde permaneceu até 1937. É lá em Taperoá que Ariano fez os estudos primários e teve os primeiros contatos com a cultura regional assistindo apresentações de mamulengos e de desafios de viola, familiarizando-se com os termos e as formas de expressão da cultura popular que mais tarde iriam nortear suas pesquisas e nutrir a originalidade de sua obra.

Em 1938, a família muda-se para a cidade do Recife, Ariano Vilar Suassuna (1927 – 2014) Cientista Social Homenageado em 2016 98 Ciências Humanas, Sociais e Letras Pernambuco, onde Ariano ingressa no Colégio Americano Batista e, em seguida estuda no Ginásio Pernambucano, ambos importantes colégios do Recife, verdadeiros celeiros da formação dos mais expressivos jovens talentos da intelectualidade pernambucana durante várias gerações.

Ao concluir seus estudos pré-universitários, ingressa, em 1946, na tradicional Faculdade de Direito do Recife, igualmente berço da formação de notáveis cientistas pernambucanos homenageados no Memorial: Paulo Freire (2007), Manoel Correia de Andrade (2008), Evaldo Bezerra Coutinho (2010), e Pinto Ferreira (2012). Tanto sua formação básica como toda sua obra, denotam e caracterizam vivamente as raízes da pernambucanidade de Ariano.

Em 1950, Ariano conclui o curso de Direito e passa a dedicar-se à advocacia e ao mesmo tempo inicia sua carreira como escritor, ensaísta, dramaturgo, romancista e poeta. É nesta fase que escreve, em 1955, sua obraprima, “O Auto da Compadecida”, peça de teatro montada e encenada pela primeira vez em 1957, que, avaliada pelos críticos como sendo “o texto mais popular do moderno teatro brasileiro”, conquistou a medalha de ouro da Associação Brasileira de Críticos Teatrais. A peça não só projetou Ariano no país como também foi traduzida e apresentada em nove idiomas, além de adaptada com enorme sucesso para o cinema.

Ainda em 1957, no dia 19 de janeiro, o advogado-escritor-dramaturgo casou-se com Zélia de Andrade Lima, com quem teve seis filhos. Ariano sempre esteve interessado na pesquisa ligada ao desenvolvimento e ao conhecimento das formas de expressões de origem popular, buscando uma nova linguagem estética de interpretação dessa cultura, sem ferir suas raízes tradicionais.

Possivelmente impulsionado por estas motivações, Ariano abandona de vez a advocacia  em 1959 e se afasta por um tempo da dramaturgia, para se dedicar à carreira acadêmica, ingressando como professor pesquisador na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), ministrando as disciplinas de Estética e Teoria da Arte, Literatura Brasileira e História da Cultura Brasileira. Atividades que exerceu até aposenta-se em 1994, após 35 anos de dedicação ao ensino e a pesquisa.

Nos anos 1970, inicia suas pesquisas em temas das ciências humanas e sociais, buscando conhecer a cultura popular para formar uma nova arte erudita partindo dos elementos dessa própria cultura, o que resultou no genuíno Movimento Armorial lançado em outubro de 1970 com uma exposição de gravura, pintura e escultura, e o concerto “Três Séculos de Música Nordestina – do Barroco ao Armorial”, apresentado pela Orquestra Armorial do Recife, na Igreja de São Pedro dos Clérigos. O movimento, que reuniu artistas e músicos de várias origens e vertentes, surgiu no ambiente universitário, mas logo ampliou-se e passou a ter apoio da Prefeitura de Recife e da Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco.

Dando continuidade a sua carreira como professor/ pesquisador, Suassuna doutorou-se em 1976, em História pela UFPE, defendendo a Tese de Livre Docência, intitulada “A Onça Castanha e a Ilha Brasil”.

Sua forte ligação com a cultura o direcionou a ocupar vários cargos públicos e de gestão: Membro fundador do Conselho Federal de Cultura, no período de 1967 a 1973; Membro do Conselho Estadual de Cultura de Pernambuco, no período de 1968 a 1972; Diretor do Departamento de Extensão Cultural da UFPE, cargo exercido de 1969 até 1974; Secretário de Educação e Cultura do Recife, de 1975 a 1978; e no período mais recente foi o Secretário de Cultura no governo de Eduardo Campos.

O legado literário escrito deixado por Ariano é extenso e diversificado, constituindo-se de cerca de vinte e sete obras, composta de romances, peças de teatro e livros de poesia. No conjunto de sua obra destaca-se sua trilogia iniciada em 1971 com o “Romance da Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai e Volta” (tendo por subtítulo: “Romance Armorial – Popular Brasileiro”), continuada em 1976, com a “História do Rei Degolado nas Caatingas do Sertão: ao Sol da Onça Caetana”.

Ariano integrou como membro eleito as Academias de Letras: Brasileira (eleito em 1989), Pernambucana (eleito em 1993) e Paraibana (eleito em 2000). Já com a idade avançada, Ariano consagrou-se realizando em várias partes do país “aulasespetáculos”, que com seu estilo próprio e seus “causos” imaginativos, deixava o público encantado

Ariano Suassuna faleceu no Recife, aos 87 anos, no dia 23 de julho de 2014, decorrente das complicações de um Acidente Vascular Coronariano (AVC) hemorrágico.

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