Pe. Paulo Gaspar de Meneses

(1924 – 2012) Filósofo Homenageado em 2014
Série Sinopses Biográficas

Paulo Gaspar de Meneses nasceu na cidade de Maranguape, do sertão do Estado do Ceará, em 11 de janeiro de 1924. Nascido no seio de uma família de intensa espiritualidade, ao completar 10 anos, sua mãe ouviu de um eminente sacerdote local que o seu filho viria a ser “um santo Padre Jesuíta”. Desde então, o sacerdócio tornou-se o sonho e o ideal de sua vida. Assim, na dé- cada de 1940 aos 16 anos fez o curso de noviciado. Aos 29 anos, em 1953, ordenou-se sacerdote Jesuíta.

Sua formação universitária deu-se no período de 1940 a 1955 ao realizar no Recife, no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul os cursos de Humanidades, Letras Clássicas, Bacharelado e Licenciatura em Filosofia e Teologia.

Em 1959 obteve o título em Doutor em Filosofia, na então Universidade do Recife e na década de 60, o Diploma de L’Institute d’Etudes Politiques, em Paris, e ainda em Beirute, no Líbano, obteve equivalência da licença em Direito pela Universidade Saint Joseph.

Tanto sua formação básica, como sacerdote e pesquisador, bem como toda sua obra, denota e caracteriza vivamente as raízes da sua pernambucanidade. No período de 1956 a 1960 lecionou no curso de Filosofia da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) as disciplinas de História de Filosofia, Metafísica e Ética; nos anos de 1962 a 1964, após seu retorno de Paris, passou a lecionar no curso de Direito da Unicap as disciplinas de Teoria Geral do Estado, Direito Constitucional e Ciências Políticas.

No ano de 1965, transferiu-se para Portugal onde lecionou na Universidade de Évora, no Instituo de Estudos Superiores, junto a Cátedra de Economia, coordenando ainda a seção de ‘Política Internacional’. No ano seguinte, transfere-se para o Chile, onde passa a lecionar no ILADES as disciplinas de Economia, Ciência Política e Relações Internacionais, permanecendo o Chile até 1970, após ter passado o ano de 1968 como professor visitante no Centro Intercultural de Cuernavaca, no México.

Em 1970, retorna ao Brasil passando a lecionar no IBRADES, no Rio de Janeiro, a disciplina de Ciência Política, onde permanece até o ano de 1976, sendo seu Vice-Diretor de 1970 a 1976, sendo ainda no Rio de Janeiro, Diretor do Centro João XXIII.

A partir do ano de 1978 retorna a Unicap, passando a lecionar no curso de filosofia, onde permanece até a sua aposentadoria. Paulo Meneses representa um marco de pioneirismo ao criar em Pernambuco uma verdadeira Escola de Filosofia, contribuindo decisivamente e de modo genuíno para forma uma nova geração de filósofos, tarefa própria de um pesquisador-professor.

A peculiaridade de sua obra se dava na síntese da tradição cristã, que une o humanismo, a cultura, e a ciência. Quando em Pernambuco a filosofia era vista como uma mera disciplina de ensino, Paulo Meneses desenvolvia suas atividades de pesquisa, lançando, assim, as bases para o surgimento de um pensamento próprio entre nós brasileiros no campo da filosofia.

Além disso, foi o protagonista no Nordeste ao incentivar a efetivação da pesquisa da filosofia no meio acadêmico, contribuindo com traduções de mais de 40 obras, dentre estas, cerca de 30 sobre o pensamento de Hegel e Santo Tomás de Aquino.

O legado científico deixado pelo jesuíta Paulo Gaspar de Meneses soma cerca de uma dezena de livros, mais de quarenta traduções dos idiomas alemão, francês, italiano, latim e espanhol, assim como a publicação de diversos artigos, folhetos e três livros de Homilias.

Entre suas publicações devemos registrar os textos Kultur, Werte und Entwicklung: die Antropologie und ihr Beitrag zum Entwicklungsprozess in Brazilien, publicado na Alemanha no ano de 1976 na obra Politik und Entwicklung in Lateinamerik, pp. 29-47; L’Amérique latine n’est pas en voie de développement in Etvdes, abril de 1970, pp.512-521, publicado na França; e, Nacionalismo y desarrolho político, publicado no Chile, in Revista Mensaje, setembro de 1967 pp.1-8.

Além de sua intensa atividade como jesuíta e pesquisador-professor, Paulo Meneses ocupou vários cargos de gestão acadêmica, entre os quais: Diretor do curso de Mestrado no ILADES, Chile; Diretor do Centro de Pesquisa João XXIII (IBRADES), Rio de Janeiro; Na Unicap foi Diretor da Biblioteca, Chefe do Departamento de Sociologia, Decano do CTCH, Pró-Reitor de Pesquisa, Presidente da Comissão Editorial, Coordenador do Nú- cleo de Estudos para a América Latina (NEAL); Assessor Especial do Reitor da Unicap e Diretor do Instituto de Filosofia Social. Paulo Meneses faleceu em 10 de dezembro de 2012, aos 88 anos, na cidade de Fortaleza, Ceará.

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