Pe. José Nogueira Machado

(1914-1996) Filósofo Homenageado em 2013
Série Sinopses Biográficas

Pe. Machado nasceu em 04 de agosto de 1914, em Cariri-açu, no sítio Farias, entre Juazeiro e Crato no Ceará. Filho de José Pereira Melo e Ana Machado. Seus pais eram prósperos agricultores que com frequência eram vítimas do bando de Lampião. Neste sítio passou a infância com mais cinco irmãos. Sua mãe cuidou dele até ele completar quinze anos, quando, então o entregou aos Jesuítas para sua educação. Neste processo ordenou-se jesuíta no Rio Grande do Sul em 1946!

Pe. Machado estudou filosofia em Braga, Portugal, matemática e física na Sorbonne, França, e se destacou resolvendo problemas matemáticos considerados insolúveis. Na França estudou com o famoso físico Louis de Broglie, um dos criadores da mecânica quântica. Ainda em Portugal, a Academia dos Sábios de Lisboa, lançou na revista Brotéria ,um desafio científico considerado insolúvel sobre equações diferenciais.O Pe. Machado o resolveu mandando sua resposta à revista. Ela considerou correta sua solução e retirou o tal desafio.

Também estudou teologia no Rio Grande do Sul e esteve em missões acadêmicas em vários estados do Nordeste do Brasil. Em 1953 transferiu-se para o Recife. Mais tarde, em 1979, foi nomeado Provincial dos Jesuítas da Região Nordeste Setentrional. Conhecia doze idiomas: latim, hebraico, grego, francês, alemão, inglês, italiano, árabe, russo, tupi e esperanto.

Em sua estadia em Paris dirigiu um congresso desta última língua. Em 1964, com o golpe militar no Brasil, foi expulso do Recife por ser considerado subversivo, já que colaborava com a obra de Dom Hélder Câmera. Foi exilado no Ceará por vários anos.

O interesse científico de Pe. Machado entendia-se à exegese bíblica, à etimologia, à história da Igreja, à história universal e à filosofia, além certamente, da física, da astronomia e da matemática. Dedicou-se com afinco à Universidade Católica de Pernambuco. Paralelamente, foi também, por muitos anos, professor na Universidade Regional de Campina Grande.

Esteve também, por alguns anos, no Piauí, organizando e reforçando, a pedido da SUDENE, a Universidade Federal local, orientando seus melhores alunos para os cursos de pós-graduação em grandes universidades. Pe. Machado atuou como professor da Escola Politécnica de Pernambuco. Sua notável atuação lhe rendeu reconhecimento e assim em 1987 recebeu o título de Professor Honoris Causa daquela instituição.

Colaborou com a UFPE quando nela se iniciou a pós graduação em Física. Com o professor Hélio Teixeira Coelho tinha um excelente 92 Ciências Humanas, Sociais e Letras relacionamento de amizade. Colaborou no ensino do Eletromagnetismo na graduação do Departamento de Física, além de se envolver com pesquisas e discussões na área da física e da filosofia científica.

Pe. Machado era acima de tudo um homem culto, humilde, afável e piedoso. Quem teve a sorte de conhecê-lo pessoalmente, certamente iria concordar com esta afirmação. Sua contribuição científica é relativamente pequena, mas de excelente nível. Na sua fase inicial constam dois artigos, Uma integração no paralelismo das curvas torsas, e Relatividade restrita neo-positivista, ambos publicados em 1940 pela revista portuguesa Brotéria.

Na física em particular, discutiu com o Professor Hélio Coelho alguns aspectos do princípio da indeterminação de Heisenberg e posteriormente,publicou um artigo no Symposium Revista da UNICAP em 1980,sob o título Determinismo e Indeterminismo na ciência.

Outros artigos, principalmente sobre equações diferenciais, foram também publicados durante sua vida. Em 1989 ele enviou um artigo bem escrito para a revista Veja, que o publicou (Veja, 15/03/1989, página 1) sobre os erros de tradução do livro Uma Breve História do Tempo, do físico e escritor inglês Stephen Hawking.

Nos últimos anos de sua vida dedicou-se, juntamente com o Professor Pe. Paulo Meneses, a traduzir do alemão para o português a Fenomenologia do Espírito, e a Filosofia da Natureza, de Hegel. Foi um trabalho árduo e difícil, pois como dizia o Pe. Meneses, “a maior dificuldade foi o entendimento exato do pensamento de Hegel, e em seguida foi vertê-lo para um português acessível e bonito”. No primeiro trabalho colaborou com a tradução do volume II; no segundo, dedicou-se aos três volumes, sendo responsável pelo segundo, Filosofia da Natureza.

Residiu durante algum tempo na casa dos jesuítas, em Beberibe, Olinda, e lá se dedicou a cultivar frutas. Era considerado um homem feliz e humilde no espírito de um ser dedicado ao Cristianismo. Faleceu em Recife no dia 31 de outubro de 1996, atropelado estupidamente por um ônibus nas imediações do Colégio Nóbrega.

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