Celso Monteiro Furtado

(1920-2004) Economista Homenageado em 2011
Série Sinopses Biográficas

Celso Furtado nasceu em 26 de julho de 1920, na cidade de Pombal na Paraiba, alto sertão do estado, mudando-se aos sete anos para Recife, onde permaneceu até 1939, ano em que se muda para o Rio de Janeiro. Durante os doze anos vividos em Recife, concluiu toda a sua formação básica no Ginásio Pernambucano, caracterizando assim a contribuição de Pernambuco para a sua formação de futuro intelectual.

No Rio de Janeiro, ingressou na Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), tendo concluído o bacharelado em Ciências Jurídicas e Sociais em 1944, mesmo ano em que foi convocado para integrar a Força Expedicionária Brasileira (FEB), servindo na Itália.

Em 1946, ingressou no curso de doutoramento em economia da Universidade de Paris-Sorbonne, concluído em 1948 com uma tese sobre a economia brasileira no período colonial. Em 1949, mudou-se para Santiago do Chile, onde integrou a recém-criada Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL), órgão das Nações Unidas.

Retornando ao Brasil, na década de 1950, Furtado presidiu o Grupo Misto CEPAL-BNDES, que elaborou um estudo sobre a economia brasileira que serviria de base para o Plano de Metas do governo de Juscelino Kubitschek.

Em 1953, assumiu uma diretoria do BNDE. Mais tarde, é convidado pelo professor Nicholas Kaldor ao King’s College da Universidade de Cambridge, Inglaterra, onde escreveu “Formação Econômica do Brasil”.

Voltando ao Brasil, criou, a pedido do presidente Juscelino Kubitschek, em 1959, a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) sediada em Recife, permanecendo na direção de 1959 a 1964.

É durante esta segunda permanência no Recife que Celso Furtado firma a pernambucanidade na sua produção intelectual. “Formação Econômica do Brasil”, a mais consagrada obra de Celso Furtado, foi publicada em 1959, no mesmo período em que o autor ocupava o cargo de diretor do BNDE do governo de Juscelino Kubitschek.

Furtado já havia sido diretor da Divisão de Desenvolvimento da CEPAL por oito anos (de 1949 a 1957), fator que orientou a metodologia e os objetivos da obra. Em 1962, no governo João Goulart, foi nomeado o primeiro Ministro do Planejamento do Brasil, elaborando o Plano Trienal.

Em 1963, retornou à superintendência da SUDENE, criando e implantando a política de incentivos fiscais para investimentos na região. Com a edição do Ato Institucional nº 1 (AI-1), Celso Furtado foi incluído na primeira lista de cassados, perdendo seus direitos políticos por dez anos.

Em abril de 1964, foi para Santiago do Chile, a convite do Instituto Latino-Americano para Estudos de Desenvolvimento (Ildes), ligado à Cepal. Em setembro do mesmo ano mudou-se para New Haven, nos Estados Unidos, assumindo o cargo de pesquisador graduado do Instituto de Estudos do Desenvolvimento da Universidade de Yale. No ano seguinte, mudou-se para Paris, onde foi professor efetivo, por vinte anos, de Economia do Desenvolvimento e Economia latino-americana na Faculdade de Direito e Ciências Econômicas da Sorbonne, dedicando-se também a atividades de ensino e pesquisa nas universidades de Yale, American University e Columbia, nos EUA, e de Cambridge, na Inglaterra.

Na década de 1970, viajou a diferentes países, seja em missão das Nações Unidas, seja como conferencista ou professor-visitante, e dedicou-se intensamente à redação e publicação de livros. Foi beneficiado pela anistia decretada em agosto de 1979, retornando à militância política no Brasil, que passou a visitar com freqüência.

Conciliou esta atividade com suas tarefas acadêmicas como diretor de pesquisas da École des Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris. Em 1981, filia-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Em 1985, foi convidado a participar da Comissão do Plano de Ação do governo Tancredo Neves, e logo em seguida é nomeado Embaixador do Brasil junto à Comunidade Econômica Européia, mudando-se para Bruxelas.

De 1986 a 1988 foi ministro da Cultura do governo José Sarney, quando criou a primeira legislação de incentivos fiscais à cultura. Nos anos seguintes, retomou a vida acadêmica e participou de diferentes comissões internacionais. Foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1997. Faleceu no Rio de Janeiro, em 20 de novembro de 2004.

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