Manoel Correia de Andrade

(1922-2007) Geógrafo Homenageado em 2008
Série Sinopses Biográficas

Manoel Correia de Andrade nasceu no Engenho Jundiá, em Vicência, Zona da Mata de Pernambuco, em 03 de agosto de 1922, filho de Joaquim Correia Xavier de Andrade e Zulmira Azevedo Correia de Andrade. Cursou os quatro primeiros anos do ensino formal em Vicência, mas, aos dez anos de idade, muda-se com a sua família para Recife.

No Liceu Pernambucano, ele conclui o ensino fundamental e, no Instituto Carneiro Leão, o curso complementar pré-jurídico. Durante o curso pré-jurídico, ele se casa com Maria de Lourdes Sales Menezes, uma colega de curso e, com ela, tem cinco filhos.

Em 1943 ingressou no curso de Direito da Faculdade de Direito do Recife e no Curso de Licenciatura em Geografia e História na antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Manoel da Nóbrega, hoje chamada de Universidade Católica de Pernambuco.

Concluiu o bacharelado em Direito em 1945, e dois anos depois graduou-se em Geografia e História. A partir de 1952, Manoel Correia passa a se dedicar inteiramente à docência. Começa lecionando Geografia do Brasil e História em colégios.

Ensina Geografia Física na Faculdade de Filosofia do Recife; Geografia Geral, no Colégio Estadual de Pernambuco; e Geografia Econômica, na Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Pernambuco, onde se aposentou oficialmente em 1985, mas mantendo-se sempre atuante como docente e pesquisador.

Durante os anos de 2004 até 2007 foi coordenador da cátedra Gilberto Freyre, no Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFPE, com estudos sobre a geografia brasileira e a realidade do pais sendo idealizador do evento anual “Redescobrindo o Brasil”.

Também lecionou como professor Emérito em Direito Ambiental no Mestrado de Gestão e Políticas Ambientais, no mesmo local. Em 1965, concluiu uma Especialização em Ecologia Aplicada no Estudo Técnico do Meio Natural da America Latina e, logo em seguida, doutorou-se, em 1967, em Geociências, na Universidade Federal de Pernambuco.

Em uma das viagens que faz ao sul do Brasil, ele conhece pessoalmente Caio Prado Júnior, e surge daí uma preciosa oportunidade. O ilustre sociólogo estava selecionando especialistas em Geografia, em cada região do país, para que escrevessem sobre as diversas questões agrárias do país, e propõe a Manoel Correia que se encarregue da parte concernente à realidade nordestina.

Como fruto dessa oportunidade, nasceria o livro “A terra e o homem no Nordeste”, que foi prefaciado pelo próprio Caio Prado Júnior e publicado pela Editora Brasiliense.

Manoel Correia foi convidado, em 1964, pelo então governador Miguel Arraes para comandar a política agrícola, integrando o Grupo Executivo de Produção de 76 Ciências Humanas, Sociais e Letras Alimentos (GEPA), para assistir à população pernambucana e ao trabalhador pobre do sertão.

Por sua orientação política, como ocorrido com outros intelectuais é preso e exilado devido ao Golpe Militar de 1964. No exílio, participou dos cursos de Celso Furtado – também exilado – ministrados na Universidade de Paris. Em sua carreira, Manoel Correia visitou vários países: França, onde estudou na École Pratique des Hautes Études; Japão, onde lecionou na Universidade de Sukuba; Argentina, em que lecionou na Universidade de Buenos Aires; Peru, México, Colômbia e Estados Unidos (Califórnia), em que proferiu palestras e conferências.

Entre os vários títulos que recebeu, destacam-se os de Doutor Honoris Causa, por parte de três Universidades Federais, Rio Grande do Norte, Alagoas e Sergipe, e pela Universidade Católica de Pernambuco. Além de Professor Emérito da UFPE, em 1989, obteve a Medalha da Ordem Nacional do Mérito Científico do governo brasileiro.

Foi nomeado, em 1984, Diretor do Centro de Documentação e de Estudos da História Brasileira Rodrigo Mello Franco de Andrade (CEHIBRA), da Fundação Joaquim Nabuco, ocupando o cargo até 2003. Como ativo pesquisador, Manoel Correia possui uma destacável produção científica – como podemos aferir de seu Curriculo Lattes; 27 artigos publicados em revistas nacionais e internacionais, 33 livros, 18 capítulos de livros e 23 apresentações de trabalhos em congressos ou seminários, além de ter orientado 18 dissertações de mestrado.

Desde 1980 foi Bolsista de Produtividade em Pesquisa, nível 1A do Conselho Nacional de Desenvolvimento 77 Série Sinopses Biográficas Científico e Tecnológico (CNPq). Devido a sua ilustre carreira acadêmica, foi eleito, em 2002, para a cadeira 37 da Academia Pernambucana de Letras. Morreu aos 84 anos, em 22 de junho de 2007.

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