Paulo Reglus Neves Freire

(1921-1997) Pedagogo Homenageado em 2007
Série Sinopses Biográficas

paulo-freireNascido em 19 de setembro de 1921, em Recife. Paulo Freire se destacou por seu trabalho na área da educação popular, voltada tanto para a escolarização como para a formação da consciência política. Vivenciando pobreza na infância, foi alfabetizado pela mãe, que o ensinou a escrever com pequenos galhos de árvore no quintal da casa da família.

Desde a adolescência começou a desenvolver um grande interesse pela língua portuguesa e, aos 22 anos, ingressou na Faculdade de Direito do Recife. Casou-se, em 1944, com a professora primária Elza Maia Costa Oliveira, com quem teve cinco filhos.

Em 1946, Freire foi indicado ao cargo de diretor do Departamento de Educação e Cultura do Serviço Social da Indústria (SESI) de Pernambuco, onde iniciou o trabalho com analfabetos pobres. Paralelamente, ainda assumiu diversos cargos públicos como membro do Conselho Consultivo de Educação do Recife (1956) e diretor da Divisão de Cultura e Recreação do Departamento de Documentação e Cultura (1961).

Em 1959, doutorou-se em filosofia e história da educação, sendo nomeado professor efetivo de história e filosofia da educação da Escola de Belas Artes. Como diretor do Departamento de Extensões Culturais da Universidade do Recife, em 1961, realizou as primeiras experiências de alfabetização popular que levariam à constituição do “Mé- todo Paulo Freire”.

O seu grupo foi responsável pela alfabetização de 300 cortadores de cana em apenas 45 dias. Após tais resultados, o governo brasileiro, sob a presidência de João Goulart, aprovou a aplicação de seu método para um Plano Nacional de Alfabetização que foi extinto devido ao Golpe Militar de 1964.

Devido às suas campanhas de alfabetização, Freire foi acusado de ameaça à ordem, sendo preso e exilado por mais de 15 anos. No exílio, esteve em países como Bolívia, Suíça, Tanzânia, Inglaterra, Guiné-Bissau e Chile – quando chegou a trabalhar nas Organizações das Nações Unidas (ONU).

Após a publicação de “Pedagogia do Oprimido”, em 1969, Freire foi convidado para ser professor visitante da Universidade de Harvard. Em 1980, Freire pôde voltar ao Brasil, assumindo cargos de docência na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC–SP) e na Universidade de Campinas (Unicamp).

Em 1988, dois anos depois da morte de sua esposa, casou-se com a pernambucana Ana Maria Araújo, sua conhecida desde a infância. Para Freire, um amante de sua terra natal, São Paulo foi uma opção quase inevitável. Com condições políticas ainda difíceis, a retomada de suas antigas funções exigia um requerimento ao governo de  Pernambuco. Além disso, tal requerimento poderia ser deferido ou indeferido, estabelecendo restrições. Freire considerou tais exigências ofensivas e recusou-se a aceitá-las, o que o levou a São Paulo.

Entre 1989 e 1991, na gestão de Luiza Erundina, do Partido dos Trabalhadores – do qual foi afiliado e um dos fundadores – trabalhou como secretário da Educação da Prefeitura de São Paulo. Neste ano, foi reincorporado ao cargo de diretor do Serviço de Extensão Cultural da Universidade Federal de Pernambuco, do qual havia sido demitido após o golpe de 1964. Logo em seguida, aposentou-se.

Em São Paulo, foi fundado, em 1991, o Instituto Paulo Freire, para aplicar, elaborar e estender suas ideias. O instituto realiza numerosas atividades relacionadas com o legado de Freire e a atuação em temas da educação brasileira e mundial.

Em fevereiro de 1997, Freire fez sua última visita ao Recife, quando rememorou os dez anos em que trabalhou no SESI. Freire morreu em 02 de maio de 1997, em São Paulo. As maiores contribuições de Paulo Freire foram no campo da educação popular e da conscientização política de jovens e operários, tendo eventualmente alcance mais amplo, incluindo o conceito básico de que não existe educação neutra. Segundo a visão de Freire, todo ato de educação é um ato político.

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