Sebastião Simões Filho

(1927 – 1991) Engenheiro Químico Industrial Homenageado em 2016
Série Sinopses Biográficas

Sebastião Simões Filho nasceu em 11 de junho de 1927, em Taperoá, município da região do Cariri, no agreste da Paraíba. Após sua formação primária, desenvolveu toda sua educação básica e superior no Recife, bem como parte importante de sua obra e carreira profissional dedicadas a Pernambuco, caracterizando assim a sua pernambucanidade.

Cursou o ginásio, como aluno interno do Colégio Americano Batista, mesmo educandário que à época era um verdadeiro celeiro de jovens talentos e onde estudaram Cientistas Notáveis, a exemplo de Gilberto Freyre (1900-1987).

Concluída sua formação básica, entrou mais tarde para o curso de Química Industrial da então Escola Superior de Agricultura. Desse curso originou-se uma nova instituição, a Escola de Química de Pernambuco, cuja criação foi apoiada pelos estudantes sob a liderança de Sebastião, que presidia o Diretório Acadêmico, no período de 1947 a 1948. Por essa razão, ele costumava dizer, com ar entre irônico e orgulhoso, “ter fundado a escola em que se formara”.

Graduou-se em 1948, tendo passado um ano na Escola Nacional de Química, no Rio de Janeiro. Ainda na universidade, cogitou tornar-se pesquisador, tendo colaborado com o Prof. Oswaldo Gonçalves de Lima em estudos de processos fermentativos.

Depois, como químico, Sebastião Simões seguirá uma carreira bastante diversificada, com passagens mais prolongadas em indústrias de fertilizantes, solventes, bebidas, polímeros e álcool combustível, área em que exerceu destacável pioneirismo.

A essa experiência industrial agregará, mais tarde, uma extensa atuação em gestão e planejamento. Sebastião inicia sua carreira profissional no chão de fábrica, trabalhando primeiro no tratamento de esgotos de Campina Grande, na Paraíba, e em seguida na operação da fábrica de ácido sulfúrico da Profertil em Pernambuco.

Em 1955, parte para São Paulo: é a época da grande arrancada brasileira para a industrialização. Emprega-se na recém-criada Petrobrás, e estagia em Toulouse, na França, para preparar o que viria a ser a Petrofértil, empresa estatal criada para atuar no campo dos fertilizantes fosfatados e nitrogenados.

Pouco depois, tendo discordado da condução do projeto, transferese para a Copebrás, empresa também do ramo de fertilizantes. Ainda em São Paulo, Sebastião conhece a estudante de bioquímica Danielle Ardaillon, nascida na Argélia, que se torna sua esposa em 1961, e com quem tem três filhos, Vasco, Diogo e Martim. Simões retorna ao Nordeste em 1961, convidado para dirigir a implantação da Coperbo (Companhia Pernambucana de Borracha Sintética), empreendimento que, na ocasião, representava extraordinário desafio.

A fábrica iria utilizar o excedente de álcool das usinas de açúcar da região, e o projeto é visto como transformador da economia de Pernambuco. Havia grande pioneirismo na empreitada e o projeto desempenhou papel importante na formação de técnicos e engenheiros e na disseminação de modernos padrões industriais na região.

A massa crítica acumulada nesses anos iniciais – com a decisiva contribuição de Simões – permitiu que anos depois, já na década de 1980, a companhia pudesse desenvolver tecnologia própria para a produção de alguns derivados de etanol, a qual deu origem a mais um empreendimento industrial pioneiro em Pernambuco, a Companhia Álcoolquímica Nacional.

Entretanto, para Sebastião Simões, a aventura da Coperbo encerra-se bruscamente com o golpe militar de primeiro de abril de 1964, antes mesmo da inauguração da planta, que só ocorreria em 1965. De volta a São Paulo, retoma sua posição na Copebrás e, em seguida, atua como consultor técnico-científico na Serete Engenharia, em projetos tecnológicos e de planejamento.

Em 1969, passa a trabalhar para a Ciquine (Companhia de Indústrias Químicas do Nordeste), empresa petroquímica sediada na Bahia. Sua posição política de oposição ao regime militar levou Sebastião Simões e sua esposa à prisão em São Paulo, no início de 1971. Estranhamente, o interrogatório a que foi submetido centrou-se em suas ideias sobre a indústria petroquímica brasileira.

Ainda em 1971, transfere-se para Salvador, e passa a dedicar-se ao planejamento conceitual do Polo Petroquímico de Camaçari, em parceria com o economista Rômulo de Almeida. Dirige a seguir a implantação de uma das principais empresas do Polo, a Polialden. Convidado a dirigir a sucursal norte-nordeste do Banco Econômico, retornou ao Recife em 1976.

Nessa época, reaproxima-se de Taperoá, experimentando na fazenda Jaramataia técnicas inovadoras para a sustentabilidade da pecuária no semiárido. Numa dessas iniciativas, introduz em  Taperoá uma fabricação de queijos de qualidade.

Em 1979, deixa o Banco Econômico para dedicar-se a seu último projeto industrial: a construção da destilaria Japungu, na Paraíba, que se notabilizou pelo arrojo conceitual da unidade industrial de alta eficiência energética e pelo aproveitamento integral dos subprodutos da cana, inclusive para a produção animal.

Simões preconizava para o Proálcool muito mais do que um programa de substituição de combustível para automóveis. Defendia, como especialista no tema, a oportunidade de o Brasil desenvolver, de forma autônoma e pioneira, uma química dos carboidratos baseada nos recursos renováveis da biomassa, em contraposição à química dos hidrocarbonetos fósseis.

Além de suas marcantes contribuições na implantação de indústrias no Nordeste e produção intelectual no campo da química industrial, Sebastião Simões participou de diversas comissões nacionais, como a do Plano Nacional de Fertilizantes.

Igualmente, integrou o conselho de administração de várias empresas, incluindo o do Lafepe (Laboratório Farmacêutico do Estado de Pernambuco), governador Miguel Arraes no início dos anos 1960, e também, curiosamente, o conselho de administração da Coperbo, empresa da qual fora afastado compulsoriamente em 1964.

Seu último desafio como gestor, confirmando seu profundo compromisso e sensibilidade com a Ciência e Tecnologia, foi a implantação da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe), da qual foi o primeiro presidente, de dezembro de 1989 a março de 1991.

Sob sua liderança criou-se a primeira fundação pública de fomento à pesquisa da região Nordeste, destinada a promover o desenvolvimento científico e tecnológico de Pernambuco por meio da concessão de bolsas de estudos, auxílios a pesquisadores e custeio de projetos de desenvolvimento e de transferência de tecnologias inovadoras aos setores empresariais. Estruturada como uma instituição ágil e transparente, com modalidades de apoio inovadoras e programas orientados para a indução de um desenvolvimento integrador, deu à Facepe características que na ocasião fizeram da Fundação uma referência no fomento à pesquisa no Brasil.

Em reconhecimento a essa singular e genuína contribuição de Sebastião Simões, o Conselho Superior da Facepe em 2014, por ocasião dos eventos de comemoração ao seu jubileu de 25 anos de criação, instituiu o prêmio intitulado “Prêmio Sebastião Simões de Mérito à Inovação Tecnológica”, promulgado pelo Governador do Estado de Pernambuco nos termos do Decreto Estadual, nº 41.383, de 19/12/2014.

Sebastião Simões deixa, como engenheiro químico industrial, um legado inestimável de pioneirismo no campo da pesquisa, da gestão e do desenvolvimento de empreendimentos de grande porte, atuando como precursor do uso dos recursos renováveis da biomassa, com a constante visão, presente e futura, dos benefícios que a Ciência e Tecnologia podem trazer para o bem estar social.

Sebastião Simões Filho morreu subitamente, em 16 de março de 1991, no dia seguinte ao de sua saída da presidência da Facepe. Na véspera, recebera calorosa homenagem da comunidade científica pernambucana.

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