Ruy Luís Gomes

(1905 – 1984) Físico Matemático Homenageado em 2015
Série Sinopses Biográficas

Ruy Luís Gomes nasceu na cidade de Porto, Portugal, em 5 de dezembro de 1905. Filho de Maria José de Medeiros Alves e de Antônio Luiz Gomes, este foi político, reitor da Universidade de Coimbra e ministro de Estado. Nascido de uma família aristocrática, desde cedo recebeu uma educação primorosa, tendo tido inclusive uma preceptora inglesa de quem recebeu bons ensinamentos.

Na Universidade de Coimbra conclui o curso de matemática com brilhantismo. Ainda como estudante publicou em 1928 seu primeiro artigo científico intitulado “O acaso nos nascimentos dos sexos”. Herdou do pai certo interesse pela política. Ainda jovem se envolveu com as ideias marxistas, devido, em parte, às injustiças políticas vigentes em Portugal de então.

Em 1926 foi nomeado na universidade de Coimbra, Assistente Livre. Em 1928 obteve o doutoramento com a tese “Desvio das trajetórias dum sistema holônomo”. No ano seguinte tornou-se professor assistente na Universidade do Porto.

Após concurso público, tornou-se em 1933, Professor Catedrático naquela universidade. A obra científica de Ruy Gomes teve seu apogeu nos anos de sua juventude. Neste período correspondeu-se com cientistas famosos, tais como Tullio Levi-Civita, Louis de 54 Ciências Exatas, da Terra e Engenharias Broglie, John von Neumann, entre outros.

Publicou uma vasta obra, em várias revistas internacionais, nas áreas de matemática e física teórica. Questões quânticas foram por ele abordadas em 1936 e um ano antes discutiu vários aspectos da relatividade restrita. Foi citado algumas vezes pelo prêmio Nobel, de Broglie, nas suas aulas no Institut Poincaré.

Em Portugal seu nome já ocupava uma alta posição nos meios científicos. Passou a ser conhecido e respeitado por toda sua comunidade científica. No exterior também despontava como um nome respeitado. A partir de 1936, Ruy Gomes passou também a se interessar pela Filosofia, notadamente, após sua amizade com o filósofo Abel Salazar de quem era grande admirador.

Ruy Gomes foi um dos fundadores da Sociedade Portuguesa de matemática (1940), do Centro de Estudos Matemáticos do Porto (1942), anexo ao qual funcionava o Seminário de Física Teórica, dirigido pelo físico austríaco Guido Beck, e posteriormente por Alexandre Proca, do Institut Poincaré, entre outras instituições em Portugal.

Seu interesse científico em astronomia impulsionou-o à criação do Observatório Astronômico do Porto. A partir de 1945, Ruy Gomes entra na vida política, notadamente pelo agravamento da situação política, devido à ditadura que perseguia toda a vanguarda científica portuguesa.

Muitos cientistas conhecidos foram forçados a deixar aquele país naquele período. Devido às suas posições políticas contrárias ao regime político, em 1947 foi demitido da Universidade do Porto pela ditadura de Salazar. Nesta situação, na condição de “professor sem escola” manteve-se como pôde, até seu exílio na  América do Sul.

Em 1951 candidatou-se à Presidência da República, mas depois de perseguições – inclusive agressões físicas sofridas em 1951 no comício do CineVictória que o levou ao hospital –, e prisões pela ditadura vigente, teve que renunciar a pretendida candidatura.

Publicou vários livros científicos de reconhecido mérito, como “A integral de Riemann” em 1949 e “A integral de Lebesgues – Stieltjes” em 1952. Para prestigiar a ciência portuguesa, muitas vezes publicou na Portugaliae Mathematica (1937) e na Gazeta de Matemática (1939).

Em 1958, Gomes viu-se forçado a tomar a difícil decisão de abandonar Portugal, aceitando um convite do seu grande amigo Antônio Monteiro para ensinar em Bahia Blanca, Argentina. Lá reencontraram-se, para escreverem na América do Sul, com outros cientistas portugueses exilados, singularíssimas páginas da “Diáspora Científica”. E ali concretizaram o clarividente projeto de promoção da investigação matemática traçado para Portugal e inviabilizado pela ditadura.

Ruy Luís Gomes, na Universidad del Sur (de 1958 a 1962) e posteriormente, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), (de 1962 a 1974), orientou a investigação científica de matemáticos e a formação em física-matemática dos engenheirandos fundadores do atual Departamento de Física da UFPE, participou da fundação e organização do curso de Mestrado em Matemática, tornando-se seu coordenador, co-fundador da coleção “Notas e Comunicações de Matemática”, dedicada exclusivamente à publicação de originais e das “Notas de Curso”, coleção destinada a editar cursos de pós-graduação.

Na UFPE fundou e liderou por anos, a formação do que ficou conhecido como a Escola Portuguesa do Recife, da qual faziam parte nomes de reconhecidos matemáticos, como Manoel Zaluar Nunes, Alfredo Pereira Gomes e José Morgado.

A sua obra permanece reconhecida nestes países. Na Universidade Federal de Pernambuco há um “Auditório Ruy Luís Gomes”, a “Biblioteca Ruy Luís Gomes”, a “Olimpíada Pernambucana de Matemática Ruy Luís Gomes”, e o prêmio com seu nome para o melhor aluno do Vestibular de Matemática.

Em 1970, o Departamento de Matemática da Universidade Federal de Pernambuco, dinamizado por portugueses, foi reconhecido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico (CNPq) como Centro de Excelência.

Em 1983, Ruy Luís Gomes reconhecia com emoção ter acabado por concretizar no Brasil as tentativas ligadas ao CEMP de criação de uma Escola de Matemática, regozijando-se por “o Departamento de Matemática da Universidade Federal Pernambuco ser considerado um dos melhores centros do Brasil! ”.

Ruy Luís Gomes tinha uma visão clara e futurística do importante papel da ciência no desenvolvimento das sociedades modernas, que pode ser sumarizada por sua convicção ao pronunciar em Palestra radiofônica em maio de 1944: “A ciência pura não se poderá desenvolver em boas condições de continuidade e eficiência sem entrar em íntima colaboração com a indústria, fornecendo-lhe resultados e recebendo em troca sugestões para novos problemas”.

Após o 25 de Abril de 1974, o Professor Ruy Luís Gomes retorna a Portugal aclamado pela comunidade científica portuguesa, tornando-se reitor da Universidade do Porto. Em 1978, por iniciativa conjunta dos Departamentos de Matemática e Física, a UFPE concede a Ruy Luís Gomes o título de Professor Emérito.

Ruy Luís Gomes morre aos 79 anos de ataque cardíaco, no Outono Europeu de 1984, na cidade do Porto, deixando uma obra científica com a marca do seu superior talento, reconhecida internacionalmente pelos mais rigorosos padrões, e o legado de um eterno defensor pelas causas da Paz, da Justiça e da Liberdade, tão fundamentais ao destino da Humanidade.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *