Jaime de Azevedo Gusmão Filho

(1932-2013) Engenheiro Civil Homenageado em 2013
Série Sinopses Biográficas

Jaime de Azevedo Gusmão Filho nasceu em 06 de Janeiro de 1932, na cidade de Caruaru. Filho de Jaime de Azevedo Gusmão e de Odaléia Porto Gusmão. A escolha pela engenharia veio ainda no Colégio. Segundo o próprio Jaime, escolheu uma profissão que o permitisse ajudar a melhorar a vida de muitas pessoas, com a realização de obras coletivas de grande alcance social.

Em 1950, Jaime ficou entre os primeiros classificados no vestibular para o curso de Engenharia Civil na Universidade do Recife, hoje Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), onde estudaria pelos próximos dois anos. Entusiasmado pela Física, Jaime Gusmão foi aluno de Luís de Barros Freire (também homenageado neste Memorial em 2009) que, como tinha o dom de identificar e estimular jovens talentos para a carreira científica, encaminhou Jaime Gusmão para o Rio de Janeiro, onde estudou por dois anos.

Jaime cursou o terceiro e o quarto ano da graduação na Escola Nacional de Engenharia. Enquanto isto, também estudava Física no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), na Urca, com bolsa do CNPq, pois gostava muito de Física e tinha dúvidas sobre a sua carreira. Nesta fase de sua formação no CBPF, Jaime foi aluno de excelentes professores, como César Lattes e o pernambucano, José Leite Lopes, igualmente homenageado na Galeria dos Notáveis Cientistas Pernambucanos em 2007.

Na opinião de Jaime, a Engenharia possibilitava ajudar milhares de pessoas, através de construções e melhorias de infraestrutura, como saneamento básico, instalações elétricas e habitação, sem falar em estradas, pontes e barragens.

Jaime voltou, então, ao Recife, em 1954, quando cursou o quinto ano de engenharia e se formou Engenheiro Civil aos 22 anos de idade, em dezembro de 1954. Em fevereiro de 1955, Jaime Gusmão retorna ao Rio de Janeiro, quando foi aluno do primeiro curso de Especialização em Engenharia de Solos realizado no Brasil, coordenado por Antônio Noronha.

Jaime ficou encantado com as aulas de Mecânica dos Solos, ministradas pelo professor Odair Grilo. Após esse curso, Jaime decidiu que dedicaria sua carreira de engenheiro à área de Mecânica dos Solos e Fundações. Entre 1958 e 1960, recém-casado, o engenheiro obteve bolsa da CAPES para estudar na Universidade de Illinois, em Chicago, onde fez seu Mestrado em Mecânica dos Solos e Fundações, tendo a oportunidade de estudar com professores notáveis, como Ralph Peck, Dan Deere e Newmark, este chefe do departamento de Engenharia Civil, além de aulas com igualmente famosos professores, a exemplo de Tchebatoriof, Bjerrum e o grande Terzaghi, que é considerado o pai da Mecânica dos Solos.

Voltou ao Recife, em 1960, e retomou o cargo de professor da UFPE, onde ajudou a fundar a disciplina de Mecânica dos Solos e Fundações, lecionando a mesma por 42 anos. No final da década de 70, coordenou a recuperação de Olinda, através da criação de um laboratório de engenharia geotécnica da UFPE.

Segundo Jaime, “Na época, a sociedade pressionava o governo por conta dos deslizamentos, que derrubavam patrimônios históricos da cidade.” Em 1979, com professores formados pela COPPERJ, fundou lá o curso de pós-graduação em Geotecnia, inicialmente com Mestrado, depois com Doutorado. As aulas na COPPE-RJ ocuparam dois dias de sua semana até os últimos anos de sua carreira.

Jaime teve mais de 100 trabalhos publicados, dentre artigos e comunicações em anais de congressos. Escreveu 10 livros entre técnicos e assuntos diversos, como: “Fundações: do conhecimento geológico à prática da engenharia” e “Desempenho de obras geotécnicas”.

Suas pesquisas, junto com colaboradores, incluíram estudos sobre deslizamentos, riscos geológicos, solos especiais, como argila mole, solos expansivos e solos colapsáveis, resíduos sólidos e contaminados, recuperação de rejeitos e métodos infitesimais em Mecânica dos Solos.

O professor foi um dos pioneiros no mapeamento de encostas para prevenção de deslizamentos na Região Nordeste. Entre as suas linhas de pesquisa estavam os estudos dos morros de Olinda e da Região Metropolitana do Recife. Jaime presidiu e dirigiu as principais entidades da sua classe de profissionais das engenharias, como o CREAPE (Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura), Clube de Engenharia de Pernambuco, e a Associação Brasileira de Mecânica dos Solos (ABMS).

Participou, também, do Confea (Conselho Federal de Arquitetura, Engenharia e Agronomia). Trouxe para Recife, em 1982 o “VII Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia de Fundações”. Além disso, ajudou a trazer 46 Ciências Exatas, da Terra e Engenharias para o Brasil, em 1989, o “12º Congresso Internacional de Mecânica dos Solos e Engenharia de Fundações”, no Rio de Janeiro.

Tornou-se livre docente pela UFPE, em 1995, apresentando o trabalho “Fundações: do Conhecimento Geológico à Prática da Engenharia”. Em 1985, recebeu do então prefeito Joaquim Francisco, o título de comendador da Ordem do Mérito Capibaribe da Cidade do Recife, pelos relevantes serviços prestados à cidade.

A Câmara dos Vereadores o homenageou, em 2001, concedendo-lhe a Medalha de Honra “José Mariano” e o “Diploma de Cidadão do Recife”. Em 2011, o engenheiro sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e veio a falecer na manhã de 01 de janeiro de 2013, aos 81 anos, após uma parada respiratória. Jaime se orgulhava de fazer com que suas obras cumprissem a função social que ele pregava como Engenheiro.

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