Luiz de Barros Freire

(1896-1963) Engenheiro Civil Homenageado em 2009
Série Sinopses Biográficas

Luiz-FreireLuiz de Barros Freire nasceu em Recife, em 16 de março de 1896. Foi uma das grandes figuras do pensamento científico em Pernambuco em meados do séc. XX. Fez o curso de Humanidades e o de Engenharia Civil, na Escola de Engenharia de Pernambuco, criada pelo go-vernador Barbosa Lima com a finalidade de fornecer a mão-de-obra qualificada ao estado, no momento em que ocorria certo desenvolvimento industrial.

Em 1918, formou-se em Engenharia Civil, quando se voltou para o magistério, tendo conquistado, por meio de concurso público, a cadeira de Matemática da Escola Normal. Além disso, em 1920, ingressou como professor contratado da Escola de Engenharia de Pernambuco, onde havia estudado.

Foi casado com Branca Palmira Freire, e desse casamento nasceu, em 1931, seu filho Marcos de Barros Freire, que se destacou no cenário político do estado de Pernambuco na década de sessenta. Em 1934, aprovado em concurso para professor catedrático de Física da Escola de Engenharia de Pernambuco, recebeu o título de Doutor em Ciências Físicas e Matemática. Foi também Diretor Técnico de Educação de Estado da Associação Brasileira de Educação do Rio de Janeiro, e ocupou o cargo de Presidente do Instituto Tecnológico de Pernambuco, órgão do Governo do Estado.

Foi professor catedrático da Faculdade de Filosofia Manuel da Nóbrega (em 1943), da Faculdade de Ciências da Universidade do Distrito Federal, hoje Estado do Rio de Janeiro, da Faculdade Nacional de Filosofia da então Universidade do Brasil, da Escola Superior de Agricultura de Pernambuco, e professor honorário da Sociedade de Engenharia do Rio Grande do Sul. Foi designado para fazer parte, como examinador, de vários concursos.

Fez parte da comissão julgadora dos prêmios de física conferidos pelo Ministério das Relações Exteriores. Foi também Presidente da Comissão de Professores Universitários de Física do Brasil, reunida em São Paulo e destinada a indicar o merecedor do “Prêmio Moinho Santista”, dentre os que se destacaram na Pesquisa de Física no País. Em 1951, foi um dos fundadores do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq), do qual permaneceu membro-conselheiro até a sua morte.

Também foi membro do Conselho Orientador do Instituto da Matemática Pura e Aplicada (IMPA), órgão do CNPq, e membro fundador do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF). Tomou parte em Congressos, Simpósios e Colóquios nacionais e internacionais, valendo ressaltar o Segundo Colóquio Internacional de Lógica Matemática, realizado em 1952 (mesmo ano em que fundou o Instituto de Física e 32 Ciências Exatas, da Terra e Engenharias Matemática com o apoio da Universidade do Recife), no Instituto Henri Poincaré, na França.

Igualmente fez parte do Comitê Internacional do jubileu Científico do professor Arnaud Denjoy, da Sorbonne e do Instituto da França. Realizou viagens de estudo à Europa, sendo a última, em 1958, na qualidade de Delegado do CNPq. Foi também membro da “American Mathematical Society” e do “Conimbrigensis Instituti Academia.”

Luiz Freire publicou no Boletim de Engenharia, onde se pode destacar o trabalho “Equação Geral das Escalas Termométricas”, que obteve elogiosas referências do físico James Chappuis, professor da École Centrale des Arts et Manufactures de Paris.

Escreveu também para a Gazeta de Matemática de Lisboa e para a Revista Brasileira de Matemática, onde foi publicado o trabalho A Bossa das Matemáticas. Assim, Luiz Freire destacou-se com professor, formador de estudiosos na sua área de atuação, organizador e dirigente de diversas instituições de ensino e pesquisa. Foi um exemplo de cultura, idealismo, vocação, e segundo o professor José Leite Lopes, de “arquiteto de valores”. Faleceu no dia 17 de julho de 1963, aos 67 anos.

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