Mário Schenberg

(1914-1990) Físico Teórico Homenageado em 2008
Série Sinopses Biográficas

Mario-schenbergMário Schenberg, brasileiro de origem judaica, nasceu no Recife no dia 2 de julho de 1914. Atuou como importante físico teórico do Brasil e também como político e crítico de arte. O interesse pela ciência surgiu por volta dos dez anos. Começou se interessando pela tecnologia – lia sobre aviões, navios e motores.

Não tinha ideia do que era ciência até seu último ano no ginásio, quando começou a estudar física, química e história natural. Começou a sua educação superior na Faculdade de Engenharia do Recife, estimulado pelo Prof. Luiz Freire, também um notável cientista pernambucano.

Transferiu-se, no terceiro ano do curso, para a Universidade de São Paulo, onde, em 1935, formou-se em engenharia elétrica. No ano seguinte, formou-se na primeira turma de Matemática da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, onde ficou trabalhando como assistente de Gleb Wataghin, orientador de seus primeiros trabalhos.

Em 1939, partiu para a Europa, onde trabalhou com o físico italiano Enrico Fermi no Instituto de Física da Universidade de Roma. Da Itália foi para a Suíça, onde trabalhou com Wolfgang Pauli. Com a aproximação da guerra, Schenberg voltou a Paris, onde trabalhou com Frédéric Joliot-Curie.

Em 1940, voltou para o Brasil, e neste período foi o primeiro brasileiro a receber uma bolsa da Fundação Guggenheim. Seguiu para os Estados Unidos, onde fez seus primeiros trabalhos de astrofísica, juntamente com o físico americano George Gamow, com quem desenvolveu o Efeito Urca, um mecanismo que explica o processo de explosão de estrelas supernovas.

Neste mesmo período, teve contato também com Albert Einstein. Em 1944 voltou ao Brasil, permanecendo na USP até 1948, quando foi para Bruxelas, período no qual trabalhou em projetos relacionados a raios cósmicos e mecânica estatística por 5 anos além de colaborar com o grupo de Giuseppe Ochialini.

Foi diretor do departamento de Física da USP entre 1953 e 1961 e conseguiu, apesar da grande resistência tanto dos físicos como dos matemáticos da instituição, convencer o reitor a comprar o primeiro computador da USP. Durante a década de 1960, lecionou também no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas no Rio de Janeiro, tendo sido membro da Academia Brasileira de Ciências, da Academia de Ciências do Estado de São Paulo e da Academia de Ciências da América Latina, em Caracas.

Em 1983, recebeu o Prêmio Nacional de Ciência e Tecnologia do Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico, CNPq, na área de física. Schenberg teve também um papel importante no cenário político-econômico brasileiro, tendo sido eleito deputado federal duas vezes. Foi eleito pela primeira vez em 1946, pelo Partido Comunista Brasileiro, que logo após sua eleição, foi considerado ilegal, o que lhe rendeu a cassação do mandato e dois meses de prisão.

Em 1962, foi eleito novamente, desta vez pelo Partido Trabalhista Brasileiro, mas nem mesmo chegou a exercer o seu mandato, sendo acusado de pertencer ao Partido Comunista. Logo após o golpe de 1964, Schenberg foi preso, e permaneceu na prisão até adoecer.

Os processos contra ele foram arquivados pelas autoridades brasileiras devido à quantidade expressiva de apelos e protestos de cientistas e intelectuais do Brasil e de várias partes do mundo.

Publicou trabalhos nas áreas de termodinâmica, mecânica quântica, mecânica estatística, relatividade, astrofísica e matemática. Seus trabalhos científicos produzidos entre 1936 e 1946 foram reunidos no livro Obra científica de Mário Schenberg e ganhou o Prêmio Jabuti na categoria de Ciências Exatas, Tecnologia e Informática em 2010.

Conviveu com vários artistas Brasileiros e estrangeiros, como Di Cavalcante, Cândido Portinari, Pablo Picasso e Clarice Lispector. Tendo atuado também como crítico de arte, escreveu vários artigos sobre artistas contemporâneos brasileiros.

Schenberg morreu em São Paulo no dia 10 de novembro de 1990, mas deixou ao mundo a imagem de um homem fantástico, inteligente, intuitivo, que via a vida sem separações entre a ciência, atividades políticas e filosóficas, mas como uma coisa só, marcada pela personalidade de cada um manifestada em seus atos. Um homem idealista, corajoso, que lutou por seus objetivos sem se deixar desanimar pelos obstáculos, pois, como ele mesmo dizia: “[…] todo idealismo digno desse nome anseia por se traduzir em ação concreta, e só se pode agir no meio em que se vive.”

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